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Sobre caveiras, cigarros e animais mortos. Hirst rulez?

sexta-feira, novembro 14th, 2008

Eu sou mega fã do Damien Hirst. Uns 10 anos atrás, tinha uma galeria de arte na rua Estados Unidos aqui em SP que vendia uns pratos dele com umas bitucas de cigarro impressas, vendiam por U$ 100 e eu comprei um. Tá mega guardado na casa da minha mãe depois de um dia eu quase quebrar sem querer. Bom, hoje em dia esse prato vale uma pequena fortuna, me garantem.

Desde então eu venho acompanhando o trabalho desse cara provocador, tirador de sarro e muitas vezes genial. Em 2001 eu estava em Londres e a White Gallery, a galeria que o representa, tava fazendo uma mega retrospectiva dele e eu fui lá uns 3 dias seguidos pra conseguir ver tudo.

Bom, esse ano ele fez aquele mega leilão na Sotheby’s chamado de “Beautiful Inside My Head”, onde ele leiloava obras novas diretamente sem passar por galeria nem agente nem nada. Isto é, o dinheiro que ele arrecadasse ficaria todo pra ele, sem ter que dar os 50% de comissão. Isso gerou polêmica, falação, o povo todo metendo o pau nele por ter atravessado agente e galerista e tal. Mas o cara não tá nem aí, faz o que quer.

A grande crítica na verdade em relação a esse leilão foi a enorme quantidade de animais que tinham pra leiloar, todos em formaldeído, como ele faz. Até chamaram ele de “taxidermista fazedor de dinheiro”, detonando o cara. Fora que esse leilão aconteceu meses antes da palhaçada econômica que tá rolando hoje no mundo inteiro. Ele arrecadou nos 3 dias de leilão U$ 200,7 milhões. Animal (sem fazer trocadilhos bestas).

Agora, com a crise, a coisa muda de figura.

Ontem teve um leilão em NY na Phillips de Pury & Co.’s e sua obra de caveiras que a Lalai falou no post anterior a esse estava sendo cotada a U$3 milhões. E não foi vendida! Nem pelo mínimo.

Sinal da crise? Preguiça dele? Quem viver verá.

A coroa da rainha

quarta-feira, março 26th, 2008

Saiu o resultado do concurso da comemoração dos 120 anos da mundialmente famosa Torre Eiffel, proposto pela Société d’Exploitation de la Tour Eiffel. O vencedor foi o escritório Serero Architects, com um projeto que não poderia ser mais surpreendente e ao mesmo tempo polêmico, considerando que estamos mexendo no âmago do orgulho francês.

Nova cara da Torre Eiffel

A torre, que hoje é o maior emblema do turismo arquitetônico mundial, foi concluída em 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel como uma base para comportar os mais diversos equipamentos para estudos relacionados à gravidade e à força do vento, sendo portanto, capaz de abarcar inúmeras vezes o peso suportado hoje. Tanto que até a Primeira Guerra Mundial, a torre servia de suporte para inúmeras antenas de rádio com transmissão para todo o país. Com seu sucesso do seu potencial turístico, a estrutura centenária foi despida de suas capacidades físicas e científicas, mas se viu refém de seu próprio sucesso, e hoje opera em capacidade máxima, deixando seus visitantes esperando até mais de uma hora por uma viagem ao topo.

Vista inferior

Tendo estas premissas em mãos, unindo tecnologia de ponta e uma boa dose de ousadia, o escritório vencedor propõe uma plataforma temporária que dobra a área do terceiro andar da torre (de 280 para 580m2), e com isso reduz as filas no térreo. A estrutura é feita em Kevlar, uma fibra polimérica da Dupont cinco vezes mais resistente que o aço, que além de ser apenas amarrada e não interferir na estrutura original, pesa absurdos 1.200kg (você pensou certo, o peso de um carro médio).

Para mim, como velho e cansado brasileiro, o fato mais chocante deste projeto é o custo previsto da obra, em míseros 1,3 milhões de euros, dinheiro que aqui seria suficiente para TALVEZ construir um ponto de ônibus. E dos mais simples, nada de sofisticação, hein? Por isso vou começar a guardar minhas moedinhas para ver se consigo conferir de perto o aniversário da ‘dama de ferro’.