Acho que o show que eu mais quero ver esse ano, depois do My Bloody Valentine, é o do Portishead.
Tá bom, sou velho mesmo, nenhuma banda nova tem me animado mega, tanto que eu fico com o povo que não lança nada novo fazia pelo menos 11 anos, no caso do Portishead, porque nem isso o My Bloody … fez mais
.
Os caras estão fazendo parcos shows pela Europa e o André, amigão meu, mora em Londres e semana passada viu o show da grade do Hammesmith Apollo. Aqui vai o relato do lucky one:
“A turnê de Third, novo álbum de Portishead, está sendo feita com poucos shows pela Europa. De acordo com Geof Barrow, o compositor multi-instrumentista da banda, isso acontece não só por razões pessoais, mas principalmente por eles nunca se divertirem realmente quando tocam ao vivo, tamanho perfeccionismo e complicações na hora da montagem do som de palco.
Quem assistiu ao show da última quinta-feira no Hammersmith Apollo de Londres, pode comprovar que essa busca quase patológica pela perfeição tem resultados diretos. O set list, baseado em sua maior parte nas faixas do novo álbum Third e no primeiro Dummy, teve o apoio de um soundsystem magnífico que fez com que as músicas soassem ainda mais sinistras e pesadas.
Após Mysterons, a terceira do show, um problema em um dos instrumentos fez com que a banda saísse do palco por algum tempo, ainda ovacionada pelo público, enquanto alguém berrava “Tudo bem, já esperamos dez anos. Podemos esperar mais cinco minutos!”.
O show seguiu normalmente. Os extremos musicais da banda eram abraçados de forma hipnotizante, como nos momentos que tocaram a delicada Wandering Star, seguido de Machine Gun, na qual as distorcidas batidas industriais eram feitas em uma bateria trigada e sem nenhum sequenciador pré-programado.
Glory Box se destacou em sua parte etérea e quebrada quando um resquício da voz de Beth Gibbons ecoou durante um longo tempo no meio de delays e efeitos de sintetizadores. No telão, algumas imagens em preto e branco de crianças. Delicado e ao mesmo tempo assustador.
Beth com seu jeito tímido, virava as costas para o público em alguns momentos, como se pedisse proteção para o resto da banda, porém agindo de forma extremamente carismática e com a voz ainda impecável.
Ao fim do show, a certeza era clara que os dez anos entre um disco e outro foram generosos com a banda. Além de darem um passo à frente do que antes já era inovador, assumiram que experimentalismo nas mãos certas pode ser considerado como perfeição.”
Du-vi-do algum festival trazer esse show pra cá esse ano ainda. DU VI DO!