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O prêmio de Arte e Tecnologia mais legal do Brasil.

sexta-feira, setembro 18th, 2009

Se a gente tem poucas certezas na vida, uma delas é que a gente vive na SOCIEDADE DO ESPETACULO. É a celebração e multiplicação de ícones e imagens, principalmente através dos meios de comunicação de massa, mas também dos rituais políticos, religiosos e hábitos de consumo, de tudo aquilo que falta à vida real do homem comum: celebridades, atores, políticos, personalidades, gurus, mensagens publicitárias – tudo transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia – conforme nos diz Guy Debord.

Teorias e academicismos à parte, vemos a proliferação de eventos e prêmios que funcionam apenas como uma replicaçao e regurgitação das mesmas referencias – como se o novo, o transgressor, o crítico não fizessem parte (ou não mereçam) os holofotes.

Falo isso pois tive a oportunidade de conhecer mais sobre a iniciativa do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia.

Em sua oitava edição, o prêmio incentiva a produção cultural-artística brasileira – guiado pelos drives da arte, tecnologia e inovaçao, com diretoria artística da pesquisadora, curadora e artista Giselle Beiguelman (dêem um google nesse nome. Ela é tipo incrivel. Sério.)

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O Prêmio Sergio Motta integra um conjunto de ações desenvolvido pelo Instituto Sergio Motta. Voltadas para a pesquisa e o fomento da arte que envolve novas tecnologias do Brasil, elas incluem o festival universitário Conexões Tecnológicas, a série de workshops Territórios Recombinantes, festivais e outras ações on-line.

O critério de seleção do 8º PSM privilegiou os criadores que lançam um olhar crítico para os usos da tecnologia na sociedade contemporânea e incorporam/criam práticas para estimular a democratização de ferramentas e ampliar as possibilidades de difusão para além do circuito consolidado.

Em 2009,  Arthur Omar, Gisela Motta e Leandro Lima, Rejane Cantoni, Camila Sposati e Fernando Velázquez, Fernando Rabelo, Jarbas Jácome e Carlos Fadon Vicente são os artistas contemplados pelo 8º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia.  Os primeiros recebem os quatro prêmios da categoria Meio de Carreira; Fernando Rabelo e Jarbas Jácome são os contemplados na categoria Início de Carreira; e Carlos Fadon Vicente, pioneiro das experimentações envolvendo tecnologias digitais no Brasil, é o premiado hors concours.

No juri, temos Fernanda Takai, Ricardo Oliveros, Claudia Gianetti, Ronaldo Lemos e Moacir dos Anjos. Uma coisa interessante é que a comissão analisou o conjunto da obra dos selecionados, e não trabalhos específicos.

A cerimônia de premiação será realizada nos dias 3 e 4 de novembro, durante o Fórum A&T | Perspectivas Críticas em Arte e Tecnologia, em São Paulo.

Quem quiser saber mais, vai no blog deles – que conta com um conteúdo bacanérrimo.

Para entender a Internet

terça-feira, março 31st, 2009

Este assunto já vem rolando há alguns dias, mas só agora parei para baixar o pdf e dar uma boa zapeada nele. O e-book “Para entender a Internet” foi lançado no dia 18 de março e nasceu da idéia do Juliano Syper de criar um livro colaborativo com a condição de que cada artigo deveria ter um verbete correspondente na Wikipedia. Convidou vários bambambans da Internet como Kazi, Alexandre Matias, Cris Dias, Manoel Lemos, Carlos Merigo, Fabio Seixas, Rosana Hermann, Bárbara Dieu, Ronaldo Lemos entre outros totalizando 38 autores.

Baixe, leia e divulgue, pois é um baita projeto bacana organizado num tempo recorde de um mês:

Para entender a internetÉ também um projeto colaborativo – literalmente – publicado com licença CC e aberto a interferências. Parabéns ao Juliano Syper que fez acontecer.

O futuro da música

terça-feira, fevereiro 17th, 2009

O futuro da música é com certeza uma das grandes discussões do nosso século com a revolução que a Internet trouxe à indústria fonográfica. Bandas como Radiohead, Nine Inch Nails liberam seus albuns gratuitamente pela rede e cada um vai usando sua criatividade para encontrar meios de sobreviver da música. Não é novidade nenhuma que nos novos formatos que tem se desenhado, os artistas tem chances de faturar mais do que debaixo de um guarda-chuva da indústria fonográfica. Não é regra e ainda tem muito artista penando para conseguir seu lugar ao sol, mas essa ralação nunca foi muito diferente e hoje é muito mais fácil se sobressair com tantas ferramentas disponíveis e num mundo que se consome cada vez mais música.

No último Campus Party eu partiticipei de uma discussão promovida pelo Sesc TV com Ronaldo Lemos e mediação do Carlos Prado sobre reflexos da revolução tecnológica na cultura. Um dos pontos altos da discussão foi os direitos autorais e o Carlos Prado me colocou na parede para saber como eu lido com os direitos autorais das músicas que toco quando eu discoteco, afinal estou infringindo a tal lei de direitos autorais. Eu e a maioria dos DJs que conheço.

Para quem se interessa pelo assunto, há um bom material disponível para download que discute a música após a morte do CD. Há um capítulo que discute o impacto da tecnologia na música e o quanto isso pode favorecer o setor independente e outro que discorre sobre a música na época de sua reprodutibilidade digital:

Nunca foi tão fácil reproduzir uma música. Em nenhum outro momento da história, as pessoas tiveram tamanho acesso às gravações sonoras. A distribuição da música nas redes digitais permitiu que artistas desconsiderados pela indústria fonográfica pudessem expor sua pro­dução para milhares de pessoas, ultrapassando os limites impostos pelos controladores do mercado de bens artístico­culturais e pela in­dústria do entretenimento. Um dos fenômenos mais impressionantes da digitalização foi a ampliação da oferta de bens musicais na internet, resultante da crescente facilidade de gravar, editar e divulgar um álbum a custos baixíssimos.(Sergio Amadeu da Silveira).

E de vez em quando nos surpreendemos com os formatos que vão surgindo como citei acima. Recentemente o Groove Armada se juntou com a Bacardi num projeto chamado B-Live Share, que funciona no esquema passed-along-payed-for, ou PAP4, que quanto mais você indica o CD para outras pessoas, mais você vai tendo acesso as outras faixas do disco. Eles criaram várias ferramentas para auxiliar o usuário promover a ação: aplicativo para blog/myspace/site/facebook, além de criar um ranking com os usuários que mais tem conseguindo trazer mais amigos para o site. O que eu achei bem interessante foi

Na entrevista que eles deram a NME, eles contaram que a idéia original era dar as músicas de graça, mas que eles tem um problema com música de graça, pois tem tanta que já ficou sem graça. Ao buscarem um jeito de fazer música de graça, acabaram chegando a este esquema.

Hoje li no rraurl que o Deadmau5 lançou uma parceria com a Touch Mix criando um aplicativo para o iPhone, em que se paga US$ 2,99 e recebe 10 faixas exclusivas do artista para mixar, remixar e aplicar variados efeitos , além de um sistema de scratch sensível a tela do iPhone. E também tem utilizado redes sociais como Facebook para divulgar o novo aplicativo. Veja o vídeo de como o Touch Mix Deadmau5 Edition funciona:

Campus Party 2009 e eu

segunda-feira, janeiro 19th, 2009

Janeiro começou bombando! Na mesma semana temos dois grandes eventos rolando em São Paulo: SPFW e Campus Party. Ainda não consegui ir a nenhum dos dois, mas pelo menos no segundo eu estarei presente em pelo menos duas datas, já que estou na programação (e bem feliz por fazer parte).

Entre vários destaques, o Campus Party traz o criador da web Tim Beerners-Lee, que hoje e amanhã (as 13h – área Software Livre) dá uma palestra sobre Web 3.0. Este será um dos momentos imperdíveis do evento, afinal ele é considerado um dos maiores gênios vivos do mundo.

Amanhã eu toco com o Teatro Mágico (só quero ver no que vai dar esta mistura… hehehe) no Sarau Digital realizado pela área de Música e Multishow. De acordo com a programação eu toco da 1 às 2h (e depois corro para o D-Edge, pois amanhã tem  a primeira Crew de 2009). Durante a semana participam desta área meus amigos Database (dia 21 à 1h), Killer on the Dancefloor (dia 22 às 23h) e a Flávia Durante (dia 23 à 0h).

No dia 23, sexta-feira, eu participo de uma mesa que vai discutir os reflexos da revolução tecnológica na cultura junto com o professor Ronaldo Lemos, Professor titular e coordenador da área de propriedade intelectual da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade. Diretor do projeto Creative Commons no Brasil. Co-fundador do projeto Overmundo. Coordenador dos projetos A2K Brasil, Cultura Livre e Open Business. A mediação será feita pelo Claudio Prado, consultor de políticas digitais do MinC. Ex-produtor de Mutantes, Novos Baianos, dos lendários festivais de Wight, Glastonbury e de Águas Claras. Conhecido por suas opiniões polêmicas, não tem crises ao afirmar, por exemplo, que “a pirataria é um apêndice do monopólio”.

Ou seja, vou ter que dar uma ralada nos próximos dias nas leituras para poder dar conta do recado! Não vai ser fácil ao lado de dois monstros digitais. A mesa 2 rola das 19 às 20h30. O debate está sendo organizado pelo SescTV.

Então, nos vemos no Campus Party. Amanhã estarei lá a partir das 13h. Para quem não fez inscrição, pode ir na área Expo, que também tem uma programação extra, além de vários expositores, inclusive a AgenciaClick, onde eu trabalhava, com desafios aos participantes valendo prêmios. Esta área tem acesso gratuito, basta imprimir o convite no site do Campus Party.