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A arte do silêncio

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010

Eu sempre falei pelos cotovelos. Na infância eu tinha a árdua tarefa de semanalmente levar advertências escolares para que meus pais assinassem, sempre por falar demais durante as aulas. O que eu tinha a meu favor é que sempre tirei notas boas, mas isso não me poupou de broncas intermináveis de que eu deveria falar menos.

Isso vem de família. Quem conhece meu pai sabe bem sobre o que eu estou falando. Uma das coisas, entre várias, que eu mais admiro nele é a maestria em contar histórias.

Quando cresci o meu maior problema era o fato de gostar tanto de falar ao telefone, tanto que não tive meu primeiro estágio prolongado, porque eu recebia ligações o tempo todo e eu era apenas uma estagiária.

Hoje não gosto de falar ao telefone. Tenho pressa em desligar e para mim o telefone é algo para conversas rápidas. O que eu menos uso no meu celular é a função básica dele, que é falar. Porém, continuo a tagarela de sempre. Talvez em doses menores, mas gosto de falar. Sempre tive uma dificuldade imensa de ficar de boca calada e acho que meu grande desafio no início do meu namoro foi lidar com o silêncio, pois o Ola é uma pessoa mais calada e contemplativa.

Essas minhas recentes viagens à Suécia tem me dado boas oportunidades de aprender a lidar com o silêncio. Na última semana, como todos sabem, ficamos em uma estação de esqui em Trysil, na Noruega. No último dia eu encarei uma caminhada de 6km, que exigiu toda a minha concentração para que eu mantivesse meu equilíbrio e não caísse na neve. Foi uma das pouquíssimas vezes que minha mente esvaziou por completo. Eu não tinha a menor vontade de falar e/ou pensar em algo. Eu queria apenas ouvir o som das minhas pisadas na neve, do vento e contemplar a imensidão branca à minha volta.

Passei cerca de 3 horas, com algumas paradas, num mergulho no silêncio. Depois me dei conta como é difícil acalmar nossas mentes, que não param, que estão sempre tendo ideias, buscando soluções, preocupando-se com problemas diários, sonhando, pensando bobagens.

Sempre soube que o silêncio era uma arte, mas muito distante para mim, afinal ficar em silêncio não significa que “você está em silêncio“. Talvez eu esteja apenas ficando velha, mas cada vez mais quero férias da minha mente louca.

Não me recomendem retiros, não é essa a intenção… pois adoro alternar meu novo silêncio com conversas leves sobre o nada.

E mais um curta lindo que traduz um pouco esse post:


Hello Again – A short film
from Session 7 Media on Vimeo.