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Contagem regressiva: Spoon

terça-feira, novembro 4th, 2008

Contagem regressiva para o Planeta Terra, que promete mais uma vez se firmar como o melhor festival de música do ano, e a agitação é geral. Todo mundo organizando planilha para saber que shows ver e quais perder, especulações sobre o playback do Bloc Party no VMB, discussões inflamadas sobre o Kaiser Chiefs como headliner, fora a histeria acerca da amigdalite que ceifou a apresentação do Calvin Harris. Aconteça o que acontecer, o único show que eu não perco um minuto é o da banda texana Spoon.

Eles tiveram um belo break em 2007 com o último álbum, Ga Ga Ga Ga Ga, mas a banda se formou em 1993 e já gravou outros 5 discos, além de uma série de EPs. Os dois primeiros, Telephono (1994) e A Series of Sneaks (1998), para mim, são duas grandes bobagens. Barulhentos e confusos, eles não decidem se querem ser shoegaze, pós-punk ou pop mesmo. No fim não é nada.

Nos anos 2000 eles deram uma reviravolta depois de romper com a Elektra Records e assinar contrato com a Merge. Seus três álbuns seguintes, Girls Can Tell (2001) e Kill the Moonlight (2002) e Gimme Fiction (2005) definiram o estilo da banda e puseram eles na cena indie. Eu, sinceramente, não sei dizer qual deles o meu favorito, pois são muito parecidos, e todos muito bons.

Com a chegada do último álbum, o Spoon conseguiu implacar um décimo lugar na Billboard, e começaram a se apresentar em programas como Saturday Night Live e o talk show do David Letterman. Mas até aí eles já tinham músicas na trilha de várias séries (The O. C., Os Simpsons, Chuck, Bones e Scrubs) além de colaborarem no soundtrack do filme Stranger Than Fiction, incluindo ainda músicas de dois de seus álbuns em versão instrumental no score.

O Ga Ga Ga Ga Ga é realmente excelente, e foi muito bem aceito pela crítica. Mas recomendo a quem gostou ir atrás dos três anteriores, que seguem a mesma fórmula: mistura de hits agitados com bateria marcada, com baladinhas com ar de blues, vilões acústicos, pianos melodiosos, big band, e sempre com um pé no indie, outro no pop. Eles têm letras nervosas que contam os percalços da banda, e uma boa dose de engajamento político, mas no fim das contas Spoon é música para curtir, não para pensar.

Planeta Terra e a nova geração de festivais no Brasil

domingo, outubro 19th, 2008

Todo fim de ano é a mesma coisa: todo aquele marasmo do ano inteiro é compensado por uma enxurrada de shows que acabam com energia e o bolso dos mais animados. Confesso que eu sempre faço um pouco de corpo mole, mas chega em cima da hora eu começo a me desesperar por não ter comprado este ou aquele ingresso. Um dia vou conseguir fazer uma caixinha durante todo o ano para segurar a barra entre outubro e novembro.

Esse ano eu me adiantei e comprei logo de cara todos os convites que queria para o TIM Festival e o Planeta Terra. Depois apareceu show do REM, Cyndi Lauper, Duran Duran… Ainda por cima, um dos shows que eu estava mais empolgado, o Gossip, foi cancelado. Um zona! Acabei dando uma broxada. Mas vamos que vamos, porque depois nós passamos de dezembro a agosto lamentando a falta de shows.

No fim das contas o que eu mais tenho guardado minhas expectativas é mesmo o Planeta Terra. Nem preciso falar que o line-up é de primeiríssima qualidade (Bloc Party, Spoon, Calvin Harris… se mata), mas lembrando o festival no ano passado, a excitação só aumenta. Enquanto os festivais no Brasil contam com um longo histórico de má organização, este pelo menos mostrou que tem a mão para fazer um evento com refinamento europeu por aqui.

O line-up intercalado, que é tão corrente por lá, aqui começou a ser usado só agora aqui, e eu pelo menos ainda não aprendi a usá-lo decentemente. Ano passado acabei perdendo o show do Rapture por ficar extasiado vendo os tiozões do Devo até o fim. Verdade seja dita, não é o sistema ideal, mas é o que funciona melhor. Ou alguém quer acabar como no show do Killers ano passado, às 6 da manhã de segunda-feira?

No fim das contas, além de enxugar um pouco o tempo de shows, o sistema adotado pelo Planeta Terra acaba por evitar muvucas, apertos e esmagações tão comuns por aqui. Aliás, nesse quesito o festival do portal foi simplesmente impecável ano passado: nenhuma fila para entrar ou sair; muitas áreas para circular e fazer coisas bacanas entre shows; banheiros limpos, organizados com cheirinho de sauna por causa dos eucaliptos e pinheiros espalhados pelo chão.

A escolha da Vila dos Galpões na Marginal Pinheiros foi uma ótima sacada por oferecer algo mais interessante e melhor estruturado que o tedioso sambódromo. A cenografia valorizava muito as árvores e dava para todo o espaço um ar meio soturno, com luz bem baixa. Os galpões também carregavam uma cara industrial, bem de garagem, bem indie. O único problema que eu lembro era o galpão dos DJs, que ficou espremido em um canto isolado, difícil de achar e pouco integrado com a festa que rolava no resto.

Enfim, o problema de se montar um bom evento é que as expectativas vão lá para cima, e manter o padrão, ou até melhorá-lo no ano seguinte é uma tarefa árdua. Rezemos para Nossa Senhora da Música Boa para que não aconteça com o Terra o que aconteceu com o TIM, depois que eles se mudaram de vez para o Rio de Janeiro, e deram as costas de vez para o público paulistano. Quem esteve nos shows do Jockey, sabe o que eu estou falando.

E nossos festivais de “verão”?

terça-feira, outubro 14th, 2008

Enquanto mais da metade do mundo se joga nos festivais de verão que rolam entre maio e um pedaço de setembro, a gente fica aqui roendo as unhas esperando nossos festivais chegarem e eles não são de verão. O grande problema é que é muita coisa num espaço curto de tempo. Com preços nas alturas e bolso vazio, vale escolher bem o que ver. Eu estou na fase de ver se gosto muito.

O fato de ter ido ao Lollapalooza reduziu consideravelmente minha lista de prioridades em shows. Fui ao Skol Beats apenas para acompanhar os amigos, pois já tinha visto Justice e Digitalism. Sinceramente eu não curti o festival, achei o line-up irregular e fugi do local antes da hora, pois não tinha nada lá que incentivasse continuar.

O Tim Festival que está com a programação extensa, mas sem grandes nomes, não me restou muito para ver, já que o que eu gosto eu já vi e Gossip, que estava na minha lista, foi cancelado. Talvez eu repita a dose e assista MGMT e The National, mas vai depender do ânimo. Provavelmente eu reveja Klaxons, já que tem Neon Neon no mesmo dia. O que decidi é que como não restou nada, eu vou rever o Kanye West no dia 22.10 que faz um dos melhores shows que eu já vi. Infelizmente ele é o mais caro da lista. Tem Gogol Bordello, que eu reveria, mas tenho Rebel no mesmo dia.

Logo na seqüência vem o Haagen Dazs Mix Music, no dia 01.11 na Vila dos Ipês, que traz Uffie & Feadz, The Glimmers, VHS or Beta (DJ set) e Yuksek. Da lista eu só vi Uffie. O Haagen Dazs, como eu falei num post anterior, mudou o formato e está mais bacana que a primeira edição. Os preços também melhoraram e ele continua open bar e claro, sorvete a noite toda, além de começar a ter maior presença em redes sociais. Vou ter que esticar na ressaca, já que no dia anterior tem a festa de 1 ano da Crew no Glória com a dupla de Chicago, Flosstradamus.

E já emenda o Planeta Terra, que dos festivais grandes é o que mais me agrada, afinal line-up de primeira e a maioria das atrações eu nunca vi ao vivo. É o tipo festival perfeito: bom preço, um dia só, horários não tão conflitantes (o de 2007 foi bem difícil fazer escolhas do que ver de acordo com meus amigos, já que na época eu estava fora). Tem Offspring, Breeder, Foals, Jesus and Mary Chain, Calvin Harris, Spoon e Kaiser Chiefs (das atrações que eu realmente curto, ou seja, 85%). Esse rola no dia 08 de novembro e estão trabalhando bem com redes sociais: facebook, last.fm (criaram perfil ao invés de evento, mas eu já tratei de criar um evento lá), orkut, blip.fm, twitter e blog (que não tem um formato muito bacana para leitura).

Quanto ao Nokia Trends ninguém sabe. O Nokia Mob Jam já está rolando há algum tempo, inclusive terá uma edição na festa de 1 ano da Crew e quem participa desta vez, além da atração Flosstradamus, é o Fabrizio Martinelli, que é nosso DJ residente. Porém, nada se fala muito do festival e nem há data prevista. Em época de calendário bombando, não dá para dar mole deste jeito, pois a chance de ser “meia-boca” é grande.

Além dos festivais, ainda tem as atrações que desembarcam aqui para shows solos, como Madonna (que eu não vou); R.E.M. que tocam em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo (que aliás, logo na sequência do Planeta Terra) e Duran Duran também em novembro, nos dias 21 e 22.

Enfim… haja disposição, tempo e dinheiro para acompanhar a maratona que abriu com Skol Beats e termina no final de novembro. Depois é voltar para a sala de espera e ficar meses a fio aguardando o calendário 2009, mas como chegamos à conclusão, as bandas chegam no Brasil com pelo menos 1 ano de atraso, com exceção das bandas mais antigas, que muitas chegam com anos de espera e outras nem chegam (como Radiohead).

Resumindo: se pensarmos um pouco já dá para prever boa parte do calendário 2009.