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Dicas SXSW por Stéphanie

sábado, setembro 10th, 2011

No ano passado eu conheci a Stéphanie enquanto procurava por blogs cariocas bacanas. Em março lá estava eu no SXSW aguardando ansiosamente o show do James Blake. Nesse dia fui abandonada pelos amigos, que preferiram outras sonoridades. Enquanto eu esperava pelo show, a Stéphanie me reconheceu e veio falar comigo. Desde então mantemos contato e quando ela viu que eu estava fazendo um warm-up aqui no blog para o SXSW 2012, ela resolveu contribuir, afinal a Stéphanie trabalhou na última edição e conhece o festival como poucos. Confira, especialmente se o seu plano é aterrissar em Austin no início de março do ano que vem para conferir um dos festivais mais incríveis do mundo.

E corra, porque as badges já estão à venda e nesse post você pode conferir dicas sobre as inscrições.

1. Sim, você vai ficar triste!
não adianta o quanto você se programe, é praticamente impossível assistir tudo! Os motivos são diversos: dependendo do show escolhido, ele poderá estar lotado ou você passará tanto tempo na fila que quando finalmente entrar, a banda que você queria ver já acabou de tocar. Muitas bandas tocam mais de uma vez no festival, então procure vê-las em algum venue ou showcase que não seja muito famoso ou que seja grande. O mais importante de tudo: lembre-se, você é uma única pessoa – logo, não há como se desdobrar em dez! É bem possível que você perca alguma coisa que queria muito ver!

2. Calma, você não vai ficar TÃO triste assim!
Isso serve para tudo: música, interactive e filmes. Na parte do interactive, a minha sugestão é que chegue cedo para pegar lugar nas palestras. Já com os filmes e os shows, fica um pouco mais fácil. O sxsw possui um sistema chamado SXXpress, que é um “passe fura-fila”. Ter um sxxpress NÃO significa entrada garantida no show ou filme x ou y, mas faz com que você passe na frente da fila. Para pegar o sxxpress para aquele show ou filme que você está louco para ir, você deve chegar cedo ao ACC (Austin convention center) e entrar na fila. Esse ano, o stand do SXXpress ficou no último andar do centro de convenções.

3. Pesquise antes
Depois de passar 10 horas dentro do avião e agüentar aquela criançada da excursão da Disney berrando no seu ouvido, é mais do que obrigação aproveitar cada segundo do SXSW. Por este motivo, antes ou durante a viagem, aproveite para entrar em sites especializados e leia sobre quais bandas, por exemplo, você deverá prestar atenção. Recomendo os sites da Spin, Wired e Blare. Todos os anos haverá, pelo menos, uns 3 grupos que serão O hype. The Vaccines, Yuck, James Blake, Cults, Odd Future ? Todos tocaram no festival! O SXSW é também a chance de ver filmes que nunca vão passar no Brasil.

Jack White fazendo show surpresa na rua

4. Preste atenção a tudo e a todos
Além de contar com a ajuda de sites especializados, pergunte a amigos, conhecidos, estranhos, cachorro e papagaio, que bandas, filmes e palestras eles recomendam. SXSW nada mais é do que troca de experiências. Preste atenção na conversa alheia, talvez alguém esteja falando de uma banda maravilhosa que viu na noite anterior, mas que não é muito famosa. Quem sabe essa não se torna a sua banda favorita?! Está de bobeira no ACC sem fazer nada? Escolha uma sala e entre – talvez seja a palestra que vá mudar a sua vida. Preste mesmo atenção a tudo e a todos, você pode descobrir desde uma festa surpresa com Kanye West e Jay-z no ultimo dia (sim, isso rolou esse ano!) até um stand de comidas vendendo o melhor taco da história! Fique atento também aos pôsteres colados nas paredes do ACC!

foto by collective vision

5. Saco vazio não pára em pé!
Infelizmente, Austin é uma cidade bem espalhada e para ir às melhores lojas e aos melhores restaurantes, é necessário ter carro. Muitos dos lugares aos quais fui, nem sei explicar como se chega lá, pois meus amigos me levaram. Texas é famosa pelo churrasco e comida condimentada, mas, acreditem, é possível sobreviver sendo vegetariana e detestando pimenta. A dica d’ouro é o Jo’s! Bom, bonito e barato! Fica a 3 quadras do ACC, é um café super lindinho com EXCELENTE trilha sonora, sanduíches deliciosos e baratos, além de toda a equipe ser uma gracinha (atenção, meninas!). Para os que não querem caminhar, em frente ao ACC há uma tenda que vende sanduíches bem gostosos e com preço bacana. Dentro do centro de convenções, você vai encontrar algumas tendas de comida pelas quais a maioria passa batido, mas que escondem alguns snacks maravilhosos. A sensação desse ano foi um queijo grelhado vendido em um stand em formato de… queijo!

Verdade seja dita: com milhões de coisas acontecendo, a última coisa que você vai querer fazer é sentar em um restaurante e comer, por isso os sanduíches são sempre uma boa pedida!

Arranjou um carro e quer comida gostosa e barata? Corre para o Whole Foods e faz uma marmita!

6. Conforto é tudo
O SXSW é um tremendo evento? Sim. Você quer ficar linda o tempo todo para que a galera veja o quão cool você é? Sim. Você quer estrear aquela bota de cowboy incrível que comprou? SIM… MAS NÃO FAÇA ISSO! A regra número um do festival é conforto! Você vai andar MUITO durante o festival, seja dentro do ACC, seja pulando de venue para venue. Coloque o sapato mais confortável que tiver e vá à luta! O mesmo serve para as roupas, porque Austin é quente (e olha que eu sou carioca!) e além disso, você vai esbarrar com 1.988.654 pessoas. Sabe centro de cidade turística durante carnaval? A 6th Street, rua onde está boa parte dos venues, fica igualzinha!

7. Compras
Além de shows, palestras, festas e filmes, serve também como feira. Os destaques vão para o Flatstock e Style X. Enquanto o Flatstock é destinado a fãs de pôsteres de shows, o Style X é para quem quer comprar roupas novas. Na edição deste ano, por exemplo, houve uma liquidação da American Apparel dentro do ACC.

8. Tá com preguiça? Fica no ACC
Últimos dias do festival e está cansado?! Fica no ACC. Além de palestras, o centro convenções possui shows também e não vai pensando que são bandas “meia-boca” que tocam por lá não. Esse ano rolaram shows do Foster the People, Chapel Club, Toro y Moi e Black Angels, por ali. Ah, e o melhor, o ACC tem wifi grátis!

9. SXSW GO e os voluntários!
Esses dois serão os seus melhores amigos durante o festival! O SXSW GO é um aplicativo que vai te ajudar a organizar o seu dia-a-dia. Se você não tem um Iphone, Ipad, Android, Blackberry ou um celular com Windows phone 7, tenha sempre a mão a versão pocket do guia do festival. Perdeu o guia e não sabe o que fazer?! Pergunte a um voluntário, eles estão ali para te ajudar. Qualquer dúvida sobre localizações, shuttles, apresentações, palestras e mudanças na programação, eles saberão te responder. Se você não esbarrar com algum voluntário pelo caminho, vá a um stand de informações e lá eles te ajudarão.

Quer tocar no SXSW 2012?

quinta-feira, agosto 4th, 2011

O SXSW é um evento democrático, pois abre inscrição para que as pessoas inscrevam seus trabalhos em todas as áreas. Claro que ele fatura com isso, já que a inscrição é paga, mas também imagina ter que avaliar/ouvir o monte de projeto que recebem? Quem paga é porque está mais afim e a taxa não é abusiva.

As inscrições para bandas/produtores/etc estão abertas e vão até 4/11/11. Até outubro a taxa custa US$ 30 e depois passa a custar US$ 40.

Abrimos uma discussão na lista da CREW e surgiram várias dúvidas, por isso resolvi bater um papo com o Lúcio Morais, do Database, que já se apresentou no festival em 2 edições, para ele compartilhar algumas dicas valiosíssimas e tirar dúvidas do pessoal.

Lalai: Para quem está querendo investir na carreira como artista, seja banda ou solo, vale a pena se inscrever para tocar no SXSW?
Lucio: Vale a pena sim, lá é o lugar para a levar e divulgar sua apresentação e produções, seja como banda, produtor e/ou DJ.

Lalai: Depois que você se inscreveu e o festival aprovou sua participação, quais são as condições que oferecem?
Lúcio: Oferecem desconto em hotéis, instrumentos musicais, restaurantes, transporte, uma mala recheada de coisas legais de earplugs descentes até cordas pra guitarra, além de todos os shows de graça que você ir (e também fazer contatos).

Lalai: Qual é o custo que o artista tem para ir?
Lúcio: Como o SXSW tem convenio com a nossa agência nos EUA, a Windish, não pagamos nada pela inscrição. Bom acho que quanto mais pessoas viajarem juntas mais barato fica, ai dá pra dividir hotel, transportes e até a badge, que você paga um preço só pra banda toda.

Lalai: A partir da aprovação, o artista recebe um documento para solicitar visto de trabalho? Quanto custa e quanto tempo em média leva pra tirar um visto de trabalho?
Eles não dão um documento pra solicitar visto de trabalho. Como você vai pra um festival e não vai ganhar dinheiro para tocar, o melhor é tirar o visto como turista. Outra opção é gastar um pouco mais e tirar o de negócios, que é o visto para ir à convenções, eventos, etc. O Database como faz uma tour maior e passa por vários lugares diferentes, aí sim precisamos de visto de trabalho

Lalai: Eles oferecem apenas uma gig ou há possibilidade de tocar em mais de um local nas festas oficiais? Vi que tinham artistas que tocavam em 3 festas diferentes dentro da programação oficial.
Lúcio: Vai depender de cada artista e óbvio da curadoria do festival. Nesse ano tivemos 3 oficiais, mas as gigs variam entre 1 e 4 oficiais.

Lalai: Você comentou que não vale a pena pegar o cachê de US$ 250 que eles oferecem. Esse cachê é por pessoa da banda ou para a banda inteira? E caso troque o cachê por uma badge, cada integrante da banda ganha uma?? A badge é válida só para a área de música? Como funciona?
Lúcio: Se você quiser pedir  badge pra todos os shows, aí é melhor trocar os US$ 250 (menos taxa de estrangeiro, que chega a 30% em cima desse valor) pelas badges.

Lalai: Além da programação oficial, tem também o evento off, qual caminho para conseguir gigs no off? Tem um cachê fixo ou pode variar de festa pra festa?
Lúcio: Não existe cache no SXSW, todos vão pra lá pra apresentar seu trabalho e divuga-lo. Chegando lá, o lance é ir fazendo amizade com todo mundo e ir cavando gigs em festas não oficiais, que são as mais legais na minha opnião. A Lose Control, uma das maiores e não oficiais, aceita sets e vídeos de novos artistas, mas o site só fica disponível perto da chegada do evento. Outra coisa legal, é ficar espertpo em outros stages, como o da Levi’s que teve Strokes e de outras marcas. Só tem que ficar ligado com a lista rsvp, pois conseguindo a confirmação, é só pegar a pulseira, que vale para a semana toda e dá acesso ao stage quando quiser, além de ver shows legais, ainda rola beber de graça.

Lalai: Vale a pena alugar uma casa fora da cidade e alugar um carro? Caso você fique durante todo o festival de música, que são cerca de 5 dias, qual custo médio que vai ter?
Lúcio: Vale a pena se organizar logo e pegar um hotel perto do centro, você vai fazer tudo a pé. Como demoramos pra nos cadastrar e etc., tivemos que pegar um hotel na estrada. Como é super difícil conseguir táxi depois das 2 da manhã, alugamos um carro, mas são muitos gastos: gasolina, estacionamento, aluguel do carro seguro e etc.

Lalai: Eles providenciam o rider ou oferecem apenas o básico?
Lúcio: Apenas o básico: bateria, stands pra teclado, microfones. Levem seus AMPs ou aluguem e/ou comprem por lá muito antes, porque todo mundo deixa pra última hora e acaba ficando sem equipamento.

Lalai: Você acha que o SXSW abriu outras portas pra vocês?? Valeu a pena o que investiram para estarem lá???
Lúcio: Pra nós de uma certa forma sim, pois muita gente acabou conhecendo nosso som, também conhecemos ótimos artistas, renderam vários remixes, conhecemos managers, bookers e etc. Tentem fazer amizades por todos os lugares, independente se fala inglês mal ou não… sempre rola o jeitinho brasileiro! hahaha

Lalai: O que mais você acha legal o pessoal saber??
Lúcio: Obviamente além dos shows, que é uma das coisas mais legais, é saber que todos estão lá pela música independente. Se voce é musico ou esteja só curtindo, o que vale a pena é conhecer muita gente. Nós fizemos muitas amizades.

by Vitor Pavão

Links Database:

Soundcloud
Twitter

Para saber mais como inscrever sua banda no SXSW, corre aqui.

SXSW 2012

quinta-feira, agosto 4th, 2011

Ontem abriram as incrições para o SXSW 2012. Eu acho incrível o tempo de antecedência e a procura frenética pelo evento, tanto que alguns hotéis centrais já tiveram reservas de quartos esgotados.

Algumas pessoas me pediram dicas de onde ficar, como ir, que pacote comprar, blá, blá, blá. Eu fui super marinheira de primeira viagem na última edição e ter algumas dicas fazem diferença. Eu penei com várias coisas, sofri de crise de ansiedade, perdi um monte de coisas imperdoáveis e me organizei de maneira indevida. E claro, muito porque eu, por mais que eu acompanhe o evento há anos (pela web, afinal é um dos eventos mais interativos do mundo), não tinha a menor ideia de como ele é de fato. E vou falar: para os que vão pela primeira vez, o evento surpreende (e assusta) sim.

Veja esse vídeo pra sentir um pouco o que é o SXSW:

Como eu me inscrevo?

Você precisa comprar uma badge, que é dividida em alguns formatos:

- platinum: para os animados que querem ir nas 3 áreas do evento: interatividade (5 dias), cinema (9 dias) e música (6 dias, mas na verdade são 5, porque o último é um pouco deprê)

- gold: interatividade & cinema – eu sinceramente acho que essa badge não vale a pena, pois a diferença de preço entre ela e a platinum não é gritante (US$ 200)

- e também é possível comprar apenas para cada uma das áreas: música, cinema e interatividade

Quando for comprar badge, dispense tudo que eles oferecem como extra. Só vale a pena mesmo a camiseta, afinal eu só vi gente perdendo jantar de boas vindas, evento não sei do que, enfim, tem tanta coisa rolando que não vale a pena pagar por nada extra. Desencana.

Por que ir?

Explicar o SXSW é uma tarefa árdua, pois participar dele é uma experiência diferente de tudo que você já viveu. Se existisse o planeta da música, seria o SXSW, pois música permeia todo o evento. A parte interativa não é muito diferente dos grandes eventos de tecnologia/interatividade que rolam no mundo, mas somente no formato, pois o conteúdo é abrangente além do inimaginável. Para quem gosta de analisar comportamento, tendências, trocar figurinhas com as pessoas mais interessantes do planeta, tem que ir no SXSW. Claro que o evento já está começando a inchar, mas ainda assim vale a pena a investida. Pode perguntar a qualquer um que já tenha ido e irá ouvir a mesma coisa “difícil explicar, só indo pra entender”.

Voltar do SXSW é voltar com uma mala cheia de novas referências e ideias, além de muitas reflexões sobre tudo, contatos e amigos novos. É o lugar que vale a pena ir, mas sim, tem filas pra quase tudo, muita gente, mas muita gente mesmo para todos os lados (já vai praticando a paciência oriental). Não é à toa que o evento ruma para os seus 26 anos de existência. E se for, fica de olho também na programação off, pois tem muita coisa interessante rolando.

Comprou a badge e aí?

Depois de comprada, sugiro acompanhar a evolução da programação, pois vale a pena pesquisar o conteúdo de forma detalhada para ter certeza de que não vai perder nada, especialmente cinema & música. Achei mais fácil decidir a programação de interatividade. A sugestão para interatividade é se prender a um assunto ao invés de vários (ex.: ver palestras focadas só em música ou jornalismo) e se surgirem espaços na sua programação, escolha aleatoriamente caso falte referência, pois podem rolar boas surpresas (ou decepções). As palestras principais geralmente valem a pena e são concorridas, por isso caso queira ver um keynote, opte por palestras/debates/entrevistas em salas próximas para não correr o risco de ficar de fora (ou ter que assistir num telão em salas anexas).

Os grandes nomes vão surgindo mais perto da chegada do festival, então não se atenha se as grandes bandas não vão. Na última vez o Foo Fighters só aparecia numa programação de cinema para lançarem o documentário, mas nem constava que a banda apareceria. Surpresa: a banda foi, falou e depois ainda fez um show num lugar pra 2.000 pessoas.

Onde ficar?

Todo mundo quer ficar no centro da cidade, onde o evento rola, porém são poucos hotéis e a maioria bem caros. O melhor lugar é na proximidade do Austin Convention Center, que fica em frente ao Hilton Downtown e na esquina do Courtyard Austin, ou seja, são os hoteis mais centrais. Depois tem o Hilton Garden (já esgotado), Residence Inn Austin, Extended StayAmerica Austin, Omni Austin, The Wicker Guest House, Intercontinental, Hampton Inn, Radisson Hotel, Hyatt, Hotel Vegas (um pouco mais longe, mas rola ir a pé ou bike-taxi), Sheraton. Esses são os possíveis de circular do hotel pros eventos a pé.

Por isso se quer comodidade, tem que correr. A maioria está fechado para o SXSW, ou seja, só rola fazer reserva se comprar a badge. Caso precise cancelar a hospedagem, a maioria cobra uma taxa de US$ 50.

Depois disso tem centenas de hotéis/moteis ao redor da cidade que necessitam de shuttle, que é possível comprar um pacote para todos os dias quando for adquirir o badge (inscrição). É possível encontrar opções bem baratas, mas vale dar uma pesquisada primeiro, pois tive amigo que acordou com a festa das baratas, afinal são, na maioria, hoteis à beira de estrada. O shuttle funciona até às 2h da matina, ou seja, esticou um pouco, vai ter que penar para achar um táxi. Claro que é possível alugar um carro, mas estacionar não é uma tarefa tão fácil e barata. De qualquer forma, se a lei é economizar, tente fechar um hotel mais distante (mas corra para pegar um não tão distante) e se prepare para a maratona, pois raramente você vai voltar para o hotel sem ser para dormir.

Como e quando ir?

A melhor opção se for viajar somente para o evento é ir via Houston. Caso queira dar uma esticada em algum outro canto, aproveite e vá pra New Orleans que é relativamente perto.

Prepare-se, porque na véspera o aeroporto de Austin mal comporta a quantidade de pessoas que chegam (são mais de 100.000 pessoas indo e vindo durante o evento, isso contando o oficial, pois tem também o evento não-oficial que acaba trazendo muitos jovens de cidades nos arredores de Austin). A fila do táxi é monstruosa e demorada, mas não tem como escapar, assim como a fila para pegar a badge.

Caso queira economizar um cadinho, chega no dia do início do festival, pois se perder algo, ainda vai ter muita coisa pra ver. Sem desespero!

Para quem vai pegar “Música”, adianto que o último dia não vale a pena, pois a programação praticamente não existe. Pouquíssimos bares abrem, a cidade já esvazia e é só programação “hangover party”. Ficar até segunda-feira vale menos a pena ainda, pois a cidade esvazia a tal ponto, que parece uma cidade fantasma. Tudo fecha e é difícil até encontrar lugares para comer.

Pré-evento

Como falei, vale super a pena mergulhar na programação e ir caçando coisas que valem a pena. Tem um monte de blogs mundo afora que fazem listas de tudo que consideram imperdível e sempre há boas dicas, afinal já é um bom filtro na maioria das vezes.

Para os sedentários recomenda-se começar a se exercitar desde já, pois é uma maratona que rola diariamente das 9 às 2h da matina e você sempre sofre quando perde coisas, mas aconselho a relaxar para não pirar, pois vai ser impossível ver tudo.

Caso você opte pelo platinum e queira ver o máximo de coisas possíveis, aproveita a hora do almoço para assistir um filme, pois há cinemas com restaurantes dentro da sala de projeção.

Austin

Ninguém precisa de muita coisa além da programação do evento, que sobra, mas para os que querem fazer comprinhas já fica a dica: Austin não tem H&M, mas tem Urban Outfitters (320 West 2nd Street Block 21) e algumas lojas ao redor. Fica fora da região onde rola o evento e é difícil conseguir táxi pra sair de lá, já vai com um número de táxi para ligar quando for pra lá. A melhor região para compras é a South Congress, principalmente se você está atrás de botas.

Eu sofri um bocado com a comida, afinal é Texas, ou seja, comida americana americana americana. Eu sofri do café da manhã ao jantar, pois não como nada como pimenta e o que tem de melhor por lá são os asiáticos, mas achar um prato que não tenha pimenta é uma façanha sem fim. Claro que tem burgers, churrascos texanos, mas comer carne todo dia não dá. Depois eu vou fazer a listinha dos poucos achados que fiz e me ajudou a sobreviver os 11 dias que fiquei na última vez.

Compre um chip pré-pago para o celular quando chegar por lá, pois ele vai ser bem útil por lá.

**

Dá uma conferida no SXSW em 9 minutos feito pelo Gabriel Dietrich, meu amigo de fila que eu conheci na entrada de um dos shows que fui lá no SXSW11:


SXSW ’11 em 9 minutos from Gabriel Dietrich on Vimeo.

TV on the Radio: You

sábado, julho 23rd, 2011

Gerard Smith by http://www.flickr.com/photos/worldwideviral/

Eu adoro o TV on the Radio e foi um dos shows que mais me emocionaram no SXSW. No dia corria o boato que o show seria cancelado devido a recente descoberta que o baixista Gerard Smith estava com cancer. No final o show rolou e foi incrível, daqueles shows que você mal consegue respirar, piscar, cantar…. era emoção correndo solta por todos os lados. Não muito depois veio a triste notícia da morte precoce do Gerard.

Nessas minhas férias consegui pegar um show da banda em Berlim, dessa vez sem ele. Confesso que chorei um pouquinho pela lembrança do show ainda com ele em março. O show foi ótimo, mas não superou nem de perto o grande show do SXSW. E hoje novamente chorei assistindo esse vídeo.

Lindo vídeo do TV on the Radio. Uma bela homenagem ao “Gerry”. :)


TV On The Radio – You from B CLAY on Vimeo.

Noize Edição #44

sábado, julho 2nd, 2011

Saiu já há algum tempinho, mas nunca é tarde pra avisar. A edição de junho da revista Noize já está rodando gratuitamente por aí. Quem não conseguiu arrematar a sua, clica ali no expandir que tem a edição online na íntegra.

Eu e o Ola Persson damos nossas dicas sonoras, que não são exatamente novidades, mas que vale a pena serem ouvidas. Tem Alice in Videoland, Ed Sheeran, Mark Lion, Waxdolls, The Weeknd e o incrível Charles Bradley, que fez eu chorar no show que fez no SXSW.

Aproveita e já se emociona um pouquinho aí com o Charles Bradley:

O melhor do SXSW: Darwin Deez

quinta-feira, abril 7th, 2011

Com certeza você já dançou ao som de “Radar Detector”, mesmo achando que nunca tenha ouvido falar de Darwin Deez. Aperta o play aí (o vídeo está rumo aos 3 milhões de views):

Darwin Deez foi com certeza um dos shows mais divertidos que fui no festival. No ano passado ele passou bastante tempo na mídia após ter lançado seu álbum homônimo, diz que já foi contactado pra tocar no Brasil e seus vídeos traduz muito bem seus shows: cheio de elementos pop, colorido, feliz. Essa semana o Ola me falou que o momento em que ele me vê mais feliz é quando eu estou assistindo a um show. Sim, shows me emocionam e conseguem me desligar do planeta. Eu super me jogo nas ondas sonoras e fico ali, inerte, contemplativa, entregue… e o Darwin Deez me fez rir, dançar, querer pular no palco e cantar junto e gritar “incrível dia que inventaram o rock”.

Ele vem de NY, tem 25 anos, é acessível, se veste de maneira estranho e ri à toa. Tem um jeito peculiar de se apresentar, em que entre uma música e outra, ele para tudo e começa uma performance acompanhado de sua banda,  com qualquer música pop cafona ao fundo. É inacreditável, ele me fisgou…. se eu tinha me rendido ao “Radar Detector”, eu me rendi de vez com um dos shows mais feliz da vida. Confira o vídeo que fiz para entender o que eu estou falando:

Alguém traz para o Brasil, por favor???

Balanço SXSW

quarta-feira, março 23rd, 2011

até a próxima edição

Esse é um post mais emocional da minha relação com o SXSW. Não vou citar palestras que vi, coisas que aprendi, bandas que me encantaram, filmes que me emocionaram, esses ficam para depois, pois é muita coisa, muita informação, muita referência. São apenas minhas emoções e como foi estar na loucura que é o SXSW.

O festival completou 25 anos, mas cresceu vertiginosamente nos últimos anos. Quem esteve no ano passado, afirmou que já houve um salto grande para esse ano. A parte de interatividade ganhou força, os publicitários fizeram as malas e foram. Nada de evento Web 2.0, o evento da vez é o SXSW.

Foi minha primeira vez no festival, confesso que ele não é para fracos. Exige preparo físico, mental e emocional! Foram 10 dias com mais de 7.000 eventos oficiais, fora os não-oficiais, que muitas vezes são mais legais e pipocam em todas as esquinas. Austin se transforma numa plataforma 2.0 de uma forma inexplicável. Mais do que o conteúdo consumido dentro do festival, que tem interatividade, cinema e música, o festival em si é uma experiência que transcende tudo isso.

Difícil explicar. Martelei à beça para chegar num jeito bacana para traduzir o que o festival significou pra mim. Nos primeiros 5 dias rolaram Interatividade e Cinema, além de festas regadas a bebedeiras, boa música, geeks e publicitários. A galera indie ainda não tinha invadido a cidade e tudo pareceu um pouco mais fácil de acompanhar. Palestras diversas rolando paralelamente, passando por todos os assuntos que se possa imaginar dentro do universo interativo, não restringindo apenas a Internet, pois vai muito além disso. Tem de tudo: marketeiros, acadêmicos, pesquisadores, desenvolvedores, diretores de cinema, atores, músicos, produtores, criativos das mais diversas áreas.

Austin se move em torno do evento. Todos sabem sobre o SXSW, que é hoje uma das principais economias da cidade. A simpatia rola solta, todos estão interessados em saber se é sua primeira vez, o que está achando, se vai voltar. E a programação te surpreende a todo momento, pois muita coisa que não estava prevista na programação, surge de um momento para outro.

pra ficar muderno no sxsw

Nessa primeira fase (de 11 a 15) a programação começa recheada às 9h e segue até às 2h para os mais animados. O excesso de opção pode causar palpitação e crises de ansiedade. Eu mesmo fui vítima de uma.

Raramente você tem certeza se está vendo a melhor opção. Talvez nunca saiba. Quando percebe que caiu numa fria, não tem frescura, é levantar e debandar para outro local. Sempre vai ter um canto ideal para todo mundo.

1º show do festival: Matt & Kim

No primeiro dia rolou uma frustração da minha parte, pois as palestras que vi não me satisfizeram. Achei tudo mediano, então decidi seguir meu instinto, além de me deixar levar por palestras com nomes curiosos. Os keynotes na maioria vale a pena também. No final de 5 dias eu tinha visto palestras boas, ruins e algumas ótimas que me deixaram sem fôlego. Tive surpresas deliciosas e algumas decepções, mas faz parte quando se tem um menu tão farto de opções.

toro y moi de pertinho

Acabei também dando algumas escapadas para ver filmes a tarde, enquanto aproveitava para almoçar dentro da sala do cinema, afinal não dá para perder tempo e há cinemas que servem pequenos banquetes enquanto você se assiste um filme. Claro que aqui não posso deixar de lembrar da minha emoção ao abraçar o Dave Grohl na porta do cinema ao assistir o documentário do Foo Fighters, que eu concluí que seu final foi no show ao vivo do qual fomos brindados de supresa, no Stubbs, o local onde rolam os shows maiores do festival, mas que para o Foo Fighters era algo bem pequeno. Sem muita firula, apenas uma boa iluminação e um palco medio, não muito alto, mas com um som perfeito. Como disse Dave Grohl, estávamos em 1999 naquele momento. E foi, algo tão “pequeno” que pareceu não cabe-los e por isso tão incrível.

Dave Grohl e eu

Finalmente chegou o dia 15, quando começa a parte de música do festival e termina interatividade. O público muda completamente, a cidade lota ainda mais, parece que todos os indies do planeta aterrissam em Austin. Ruas são fechadas, o transito fica caótico, filas e mais filas nas portas de todos os bares e, claro, a tensão sobre qual show ir, qual melhor festa do dia, ver coisa nova ou já consagrada, ficar com os amigos ou abrir mão deles para ver algo completamente obscuro que só você quer ver, ir ver o amigo que vai tocar ou deixa-lo para uma próxima, pois você tem certeza de que oportunidade não irá faltar.

emoção de ver um show folk numa igreja

Além dos shows, há também palestras e mais palestras focadas em música, mercado, produção, distribuição, futuro, etc., além de continuar a maratona de filmes, que provavelmente nunca mais você vai ver a não ser lá.

E se a preguiça de enfrentar fila ou entrar em bar ou clube bater, é só ficar zanzando na 6th Avenida e ao redor dela, porque tem shows rolando em todas as esquinas no meio da rua, muitos deles bem interessantes.

a fervida 6th ave

O que gostei também foi de ver várias ações simples e pontuais rolando nas redes sociais para conseguir entrar num show, ir a uma festa, ganhar um premio. É isso, o SXSW é uma experiência social só de estar nele. Tudo que discutimos nas salas de palestras ou de reuniões, acontecem ali ao vivo.

eu & gaia (@goomtv)

O SXSW está naquele momento de virada, que talvez em não muito tempo se torne insuportável. Muita gente que o frequenta há tempos já reclamou, deixou de se inscrever e preferiu ficar na programação não-oficial, que também oferece opções que não acabam mais.

O aprendizado foi: se preparar com antecedência, dar uma boa estudada na programação de cabo a rabo para já ir com uma boa prévia do que ver, pois o resto vira lucro, dar uma malhada (juro que isso conta na hora de ter fôlego com a correria que o festival requer), saber que dá para se divertir sozinho, especialmente lá que sempre tem alguém puxando conversa com você.

amigos invadindo meu quarto

SXSW me proporcionou uma das experiências mais bacanas que já tive. Não acho que é algo que agrade a todos, mas com certeza a maioria que vai pela primeira vez, quer voltar.

O que me encantou do começo ao fim e superou minhas expectativas foi o festival em si. Muita novidade, muitas conclusões acertadas, muita troca de cartão, muita inspiração, muitas ideias brotando loucamente na cabeça, muita risada, muita gente interessante, muitas amizades novas, muita correria, muita falta de ar, muita cerveja, muita animação, muito cansaço e muita vontade de voltar na próxima edição. E Austin se torna uma cidade deliciosa nessa época. A minha conclusão é que se a terra fosse o planeta da música, ele seria o SXSW.

sim, eu curto o sxsw by #goomtv

E um valeu especial às pessoas que estiveram comigo por lá: @databasetrax @marinapires @bruno @djmulher @lucardoso72 @fascinated @leandroHBL @rosanafortes @gaiapassarelli, Mariana Metri, Romko entre outros. Que venha 2012!

Um guia pra quem vai ao SXSW

quarta-feira, março 2nd, 2011

Como se vestir, como se portar, com quem falar, como falar… tudo pra você não se sentir um peixinho fora d’agua e não se frustrar com seus objetivos no festival. Genial, hahahahahaha:

We are enfant terrible

segunda-feira, fevereiro 28th, 2011

We are enfant terrible é um trio francês, que surgiu em 2008. Suas músicas são recheadas de electro que se misturam ao indie rock, synthpop com um toque de 8bit. As letras falam de como os jovens vêem o mundo atualmente, como misturam de forma inteligente moda e cultura, a dominação da web e video game. Já foram comparados com CSS, Goldfrapp, Ting Tings e The Kills.

No ano passado lançaram o primeiro álbum, Wild Fish, que é dançante, alegre e, apesar de ser cantado em inglês, tem aquela pegada de electro francês. Não é excepcional, mas cai bem em dias em que tudo que queremos é não pensar.

E acabei de descobrir que vão tocar no #SXSW desse ano, então com certeza vou conferir para contar se a performance deles ao vivo é de fato o que corre por aí.

Acabaram de lançar clipe novo da música Filthy Love,  single que acabaram de tirar do forno:


We Are Enfant Terrible – Filthy Love from bif on Vimeo.

Planeta Terra: Yeasayer

terça-feira, novembro 2nd, 2010

Uma das grandes atrações nesse Planeta Terra é a banda nova iorquina Yeasayer. Eu vi o show deles no Lollapalooza 2008 num dos palcos principais. Na época a banda ainda estava despontando e tocava em pleno início da tarde, com um sol de rachar e um público bem pequeno, mas é o tipo da banda que preenche o palco independente do tamanho que ele é.

yeasayer

Sentei nas escadas próxima a ala vip e fiquei assistindo o show até o final. Sabia apenas o nome, pois olhei na programação, mas na época eu não tinha a menor noção de quem eram eles.

O Yeasayer surgiu em 2006 e no ano seguinte já chamou atenção da mídia após sua apresentação no SXSW 2007. No ano seguinte passou a excursionar ao lado do MGMT (colocando-os no chinelo, sorry) e depois como banda de apoio do Beck.

Eu vi o show da turnê do primeiro álbum, All Hour Cymbals, com notas psicodélicas, folk e pop dos anos 80. Show que eu teria assistindo dançando rodopiando de braços abertos se não fossem os quase 40ºC derretendo minha cabeça.

No Brasil eles aterrissam com o segundo álbum debaixo dos braços, o Odd Blood, lançado no início desse ano, que é mais dançante e pop do que o primeiro. Os shows da banda são marcados por psicodelia visual e é bem vigoroso, impossível de ficar parado e não gostar deles. Confira aí e vai ouvindo incansavelmente o Odd Blood para cantar junto com eles do começo ao fim.