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Educação a um clique

terça-feira, outubro 13th, 2009

Nem sempre é possível estudar nos lugares que sonhamos. Eu cresci querendo fazer Jornalismo na USP, mas me faltou boa vontade e acesso à uma boa educação para chegar lá. Há um bom tempo que acompanho universidades que se apoderam da Internet e dá a qualquer um acesso a um material valiosíssimo. Afinal em era da colaboração quem quer deter o conhecimento tem os seus dias contados.

Hoje eu me surpreendi com tal revelação que uma amiga fez em pleno ano 2009. Ela está fazendo um curso bacana numa escola descolada (e cara). O curso é ótimo, a professora é ótima, mas nega a todo custo compartilhar o material que está utilizando nas aulas. Ao ser questionada o porquê não repassar tal material, a resposta foi: não posso revelar minhas fontes. Ok, talvez as fontes que ela tenha sejam o grande diferencial no dia-a-dia dela, mas para mim quem tem medo de compartilhar o conhecimento de forma ampla é porque se sente ameaçado. Até entendo jornalistas esconderem as suas fontes, mas é neles no máximo que minha compreensão chega (e olha lá). Eu já tive “nãos” bem grandes ao perguntar se fulano de tal poderia me dar acesso aos seus feeds.”Está louca que vou revelar minhas fontes?”.

Eu compartilho tudo. O conhecimento está aí e inteligente é quem sabe aplicá-lo. Tiro o chapéu e aplaudo quem passa para frente o que sabe.

Aproveitei que hoje o tema Educação para fazer a lista de algumas das muitas universidades que aos poucos vão compartilhando o conhecimento abertamente para quem quiser ter acesso. Infelizmente no Brasil ainda há poucas iniciativas do gênero. Geralmente o que se encontra nos sites das principais universidade é uma área de notícias e quando muito, vídeos de palestras, mas o acesso é tão complicado, que acabamos desistindo.

© LWA-Dann Tardif/Corbis

O Youtube tem o EDU, que reúne todos os canais de educação e a lista é imensa. Muitas universidades listadas ainda não tem material educativo, apenas institucional, mas algumas capricham no conteúdo e dá para perder horas e horas assistindo aulas e palestras. Vamos a uma lista das que eu achei mais bacanas e que vale acessar regularmente:

- Stanford University: a universidade possui cursos de Negócios/Administração, Earth Sciences (Geologia & Meio Ambiente), Educação, Engenharia, Ciências Humanas, Direito e Medicina. Além do canal no Youtube, que tem diversas aulas e palestras, tem também um canal no iTunes para poder baixar cursos, leituras, entrevistas, etc. A Stanford também marca presença no Twitter e Facebook de forma bem ativa. Para quem curte ensino à distância e se interessa por uma das áreas da universidade, a parada é obrigatória. Tem muito material relacionado a Futuro, Internet, Game, Social Immersive Media, Programação, Economia, Geologia, além de ter o curso de Introdução a Engenharia da Computação com 28 aulas completas. Outra área interessante é o “Futuro da Saúde Humana”, que tem as apresentações inspiradas no formato das conferências do TED, em que cada palestrante tem entre 10 e 20 minutos para falar sobre suas pesquisas, que incluem descobertas em neurociências, bioengenharia, psicologia, etc.

- Yale University: tem dois canais bem amplos de cursos gratuitos online, um no Youtube e o Open Yale Courses, que tem cursos completos englobando várias disciplinas e mídias (disponibilizado textos, mp3, vídeos e fotos). O canal de cursos no Youtube tem atualmente 318 vídeos disponíveis com aulas completas de Introdução à Psicologia, Literatura americana a partir de 1945, Marketing Financeiro, etc, além de várias palestras.

- University of Cambridge: o canal no Youtube tem várias palestras. O que eu achei ruim é que muitas das aulas/palestras estão em partes pequenas de menos de 10 minutos cada. A universidade que completou 800 anos (pasmem!) fez um site especial para celebrar a data e tem também bastante coisa a respeito da universidade e sua história (só ela já vale um curso). Tem também twitter e facebook, que dá para acompanhar a disponibilização de material online.

- Harvard University: não tem um material bem amplo no Youtube, acaba funcionando mais como institucional mostrando um pouco do que rola na universidade. Possui também o canal Harvard Business, que também não tem muita coisa, mas tem umas palestras e entrevistas curtinhas interessantes. Perde feio para todas as anteriores.

- Carnegie Mello University: tem um canal no Youtube e o mais bacana são as palestras, que inclui Bill Gates e Al Gore.

- MIT OpenCourseWare: é um dos mais fantásticos e focado totalmente em cursos à distância (e tudo gratuito) abrangendo 35 departamentos educacionais diferentes. Nem tudo tem em vídeo e há muito material disponível em pdf. O site deixa claro que os cursos não são “MIT Education” e não emitem certificados. Eles explicam que para compilar cada curso, o custo médio é entre US$ 10 e 15,000, e esse valor costuma dobrar quando envolve vídeo. A parte boa é que há vários cursos traduzidos para o português. Tem também o canal no Youtube com aulas que não acabam mais.

- USP: tem um banco de dados de dissertações de mestrado, tese doutorado e de livre docência. Para quem está fazendo pesquisas, o acervo é bom.

Além das universidades há outras opções para cursos gratuitos:

- Forum Network: são várias palestras, vídeos e aulas de áreas diversas. O acervo é bem amplo, com vídeos, fotos e textos estruturados por áreas, regiões e épocas.

- Scitable, learn Science at Nature: é uma comunidade e disponibiliza vários artigos focados em ciências. Além das leituras, é possível se conectar com as pessoas, participar de grupos de discussões e publicar artigos. Achei vários brasileiros por lá.

- TED: é meu favorito. O site abrange também diversas áreas e disponibiliza todas as palestras online, o melhor é que dá para baixar tudo no iTunes e assistir sem pressa, especialmente em viagens longuíssimas, afinal o que não faltam por lá são palestras interessantíssimas.

Esse é grupo bem pequeno de vários sites e comunidades focados em educação, que disponibilizam um rico  material gratuitamente. Temos também revistas, jornais, artigos espalhados por vários cantos, além dos blogs e vídeos espalhados pelo youtube e outras plataformas. Aproveite o post e colabore indicando sites, universidades, etc para a gente criar uma lista bacana por por aqui.

O celular é antisocial?

quinta-feira, abril 16th, 2009

Li há um tempo atrás um ensaio na revista Época escrita pela Ruth de Aquino que ela discorre sobre a forma exagerada como nos relacionamos com nosso celular. Inclusive ela cita um romance do Philip Roth, Fantasma sai de cena, que depois de viver isolado nas montanhas por dez anos, ele chega a Nova York: “O que mais me surpreendeu foi a coisa mais óbvia – os telefones celulares. Na Manhattan de que eu me lembrava, as únicas pessoas que andavam pela Broadway aparentemente falando sozinhas eram os loucos. O que acontecera que agora havia tanto a dizer e com tanta urgência que não dava para esperar? (…) Alguma coisa que antes inibia as pessoas agora havia desaparecido, e por isso falar sem parar ao telefone se tornara preferível a caminhar pelas ruas sem estar sendo controlado por ninguém. (…) Para mim, isso tinha o efeito de fazer com que as ruas se tornassem cômicas, e as pessoas, ridículas. Havia também um lado trágico nisso. A anulação da experiência da separação. (…) Você sabe que pode ter acesso à outra pessoa a qualquer momento, e, se isso se torna impossível, você fica impaciente e zangado, como um deusinho idiota. (…) Tendo vivido parte da minha vida na era da cabine telefônica, cujas portas dobradiças podiam ser hermeticamente fechadas, impressionava-me aquela falta de privacidade. (…) Eu não conseguia compreender como alguém podia imaginar que levava uma vida humana falando ao telefone metade do tempo em que estava acordado”.

Quando li este texto na época, eu me vi bastante nele, pois eu passo boa parte do tempo olhando para o meu celular ou fazendo algo nele. Não necessariamente esperando ele tocar, porque não sou muito fã de falar ao telefone, mas para ver emails, twitter, meus feeds. Acabei refletindo e comecei a tentar deixa-lo um pouco mais de lado, pois notei muito facilmente o quanto alguém ao seu lado grudado no celular pode ser chato. Você está conversando com alguém que mal presta atenção nas suas palavras, pois está fazendo alguma coisa no celular. E não presta mesmo, por mais que diga o contrário.

Se você olhar a sua volta vai ver quantas pessoas estão no seu próprio mundinho mesmo ao lado de amigos. Acabo chegando a conclusão que o celular não conecta, mas disconecta. Torna o próximo em distante, o real em virtual. Nos transportamos para nossos pequenos aparelhos e nos trancamos como se ali fosse um meio seguro e muito mais interessante do que fora dele. Eu não sou muito diferente do perfil descrito, mas tive a sorte (ou azar, depende do ponto de vista) do meu smartphone dar pane e na pressa eu peguei um celular que a principal função é música, ou seja, pensar em utilizar a internet nele é algo quase impraticável. Percebi nestas duas semanas que estou com ele que tenho estado mais presente com as pessoas que estão comigo.

Não quero ir na contra-mão da tendência do celular, da publicidade que cada mais tem que pensar nele como um meio imprescindível, não quero voltar para trás, mas depois de uma boa auto-análise, eu quero me desconectar um pouco dele e curtir mais as pessoas que dividem minha atenção com ele. Deixar o celular para momentos mais solitários, quando ele me salva do tédio no trânsito, e urgentes.

Ontem meu namorado me enviou um vídeo de uma palestra dada pelo Renny Gleeson. Ele foi escolhido pelo Chris Anderson para dar uma palestra curta (3 minutos) durante o TED 2009. Ele fala sobre o perigo do celular e o quanto ele nos isola. E ele mostra isso de uma forma divertida, mas que faz muita gente se identificar.

Compartilhando idéias

segunda-feira, novembro 24th, 2008

Eu admiro bastante quem compartilha suas idéias. Foi com muita emoção que descobri na semana passada que a revista HSM divulga todo o conteúdo sem você precisar ser assinante, apenas solicitando um cadastro, assim como sou fã de quem compartilha suas apresentações no Slideshare, revistas que liberam versão em pdf, jornais, séries, imagens, etc.

Nunca tive problemas em disponibilizar meus feeds e qualquer conteúdo que eu produzo (seja ele bom ou não, o risco fica por conta de quem o lê).

Um dos sites que eu acho mais incríveis no quesito “compartilhamento de idéias”, é o TED. São conferências e mais conferências com pessoas incríveis tudo ao custo de um clique. Sei que o TED não nenhuma novidade, mas vai saber se tem alguns desavisados que não o conhece?

Para quem gosta de moda, uma das últimas palestras disponibilizadas foi com o estilista Isaac Mizrahi, em que ele discute criatividade e como ter uma vida feliz.

E depois vale a pena dar uma boa fuçada nos arquivos, porque tem vários achados por lá!