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Girl Talk

terça-feira, janeiro 20th, 2009

Fizemos nossas listas, mencionamos o que mais ouvimos e até concluí que o artista de 2008 foi TV on the Radio, já que ele esteve presente em pelo menos 8 de cada top 10 feito por revistas, blogs e jornais. Pensei bastante a respeito e o meu artista do ano foi Girl Talk. Talvez eu o eleja um pouco tarde, já que a essas alturas ninguém está mais olhando para trás e sim correndo atrás do que pode ser o grande booom de 2009, mas este post está na minha cabeça há algum tempo e eu precisava escrevê-lo.

Girl Talk tocou no Brasil no Tim Festival de 2007. Em São Paulo o seu show foi na The Week na noite eletrônica. Infelizmente eu perdi, pois tinha Rebel no mesmo dia. Foi com pesar que no dia seguinte ouvi todo mundo comentando sobre um dos melhores shows do Tim daquela edição. Antes disso ocorrer, eu e o Fabilipo tínhamos cogitado dele tocar no aniversário do Glória, mas que acabou fechando outra atração. Afinal quem era Girl Talk?

Na minha última viagem aos Estados Unidos eu tive a oportunidade de assistir a dois shows dele, porém o primeiro coincidiu com outro show e acabei abrindo mão. Deixaria para vê-lo no All Points West em NY. O álbum “Feed the Animals” tinha acabado de ser lançado e eu mal o tinha ouvido. Confesso que, apesar de imaginar um show muito divertido, eu não imaginei o quanto ouvir Girl Talk poderia causar uma sensação incontida de felicidade.

Girl Talk
Quando o Larry Tee me ligou perguntando se eu gostaria de dançar no palco com o Girl Talk, eu mal pude conter minha alegria, afinal se show já era considerado incrível para quem assistia, imagine para quem participasse diretamente dele. Essa experiência, que eu já citei várias vezes, foi com certeza uma das mais divertidas da vida. Assista a sequência aqui (eu sou a de fita rosa na cabeça e camiseta de zebra).

Girl Talk @ All Poins West (Foto tirada por http://www.flickr.com/photos/johnxavier/)

Desde então “Feed the Animals” tem sido tocado repetidamente no ipod, no computador e às vezes até nos meus sets. O cd foi lançado para download gratuito ou pagar US$ 5,00 para bonus track ou US$ 10,00 para receber o CD físico.

E tanto eu, quanto o Fabilipo e a Dani (que aderiu ao cd recentemente de tanto que falamos dele) temos discutido o quanto ouvir este álbum nos deixa feliz. Se em algum momento eu não estou legal, eu já corro para dar play nele. E nos meus devaneios sobre o porque deste cd ter tal eficiência como a pílula da felicidade, não foi difícil encontrar a resposta.

“Feed the Animals” possui mais de 300 samples em menos de 1 hora, que nos remete para épocas diversas de nossas vidas e evocando fases esquecidas. Provavelmente é essa ode ao passado o grande responsável pelo estado de espírito em que sou acometida ao ouvi-lo. Afinal passa por Rage Against the Machine, Jay-Z, Twisted Sister, Avril Lavigne, Michael Jackson, Radiohead, Queen, Beastie Boys, The Police, The Cure, Faith No More, The Jackson 5, Yeah Yeah Yeahs, Public Enemy, Eminem, Nine Inch Nails entre centenas de outros. Confira nesta lista todos os samples de Feed the Animals.

Com este repertório não há como não embarcar numa viagem ao tempo, especial se você viveu os anos 80 e 90. Por isso eu digo: Girl Talk é gênio!

*Vale relembrar aqui o post que a Dani fez sobre o Remix Manifesto e dar um pulo no site oficial, especialmente em semana de Campus Party quando um dos assuntos discutidos é Creative Commons

Em busca do festival perfeito

segunda-feira, dezembro 1st, 2008

Parece que as produtoras querem se aprimorar nos festivais de fim de ano, e acabam copiando idéias entre si. E talvez seja justamente a cópia que está fazendo tanto bem para nós, pobres consumidores. São sempre coisas pequenas, que na hora do vamos ver fazem toda a diferença.

Neste fim de semana tivemos o último dos moicanos, o Nokia Trends. Com um line-up sem muita expressividade, principalmente se comparado à edição memorável de 2006, e já no fim de uma longa jornada de shows espremidos em pouco mais de um mês, o Nokia passou um pouco desapercebido. Eu confesso que só fui para me fazer valer de uma série de regalias que cairam no meu colo e porque queria muito conhecer o local do evento, o Cine Marrocos.

Primeira cópia: acho que todo mundo cansou dos Sambódromos e Espaços das Américas da vida e agora a onda é lugares inusitados. O Planeta Terra no ano passado lançou a onda com a Vila dos Galpões, O Tim Festival foi na onda do Motomix e se infiltrou no Parque do Ibirapuera, mas nada se compara à iniciativa do Nokia. O Cine Marrocos, além de lindo e desesperado por um restauro, conta um pouco da história de São Paulo e ainda colabora com a tão esperada revitalização do centro. Thumbs up! Outras cópias bem vindas: supressão de área vip, vans indo e vindo do estacionamento afastado, banheiros forrados de arruda, acabando com a asfixia dos que precisam se aliviar, enfim, só boas iniciativas.

Agora, o que me choca é quando resolvem inventar novidades e fazem coisas totalmente sem sentido. O evento, apesar de xoxo, teria sido bem agradável se não fosse a palhaçada do bar. Nada a ver com as filas ou as poucas opções de drinks, mas com o sistema de pagamento. Pensemos juntos: todo o mix de produtos tem preços múltiplos de 4, e as fichas valem R$2,00 cada. Mas alguém muito sábio resolveu impor uma regra de apenas aceitar compras de R$10,00. Ou seja, uma cerveja de 4 reais custa 10. Duas custam 10. 3, 4 ou 5 custam 20. Me senti negociando com o Soup Nazi. Uma pena, porque uma boa organização se afundou em algo primário, digno de barraco no Procon.

A foto é do teto da Cine Marrocos, tirada pela nossa querida vencedora da promoção do Nokia Trends, Biti.

TIM Festival, do divino ao descartável.

domingo, outubro 26th, 2008

Eu ia fazer um post rápido escrevendo só uma frase que seria mais ou menos um pedido aos organizadores do TIM Festival que ano que vem, ao invés de trazerem um Kanye West da vida, pra eles pegarem o tal cachê de milhões de dólares (e isso não é uma metáfora, é a realidade, ao que consta) e dividirem essa dinheirama toda em vários shows de bandas como The National.

Num festival em que um rapper mauricinho que se acha “a estrela mais brilhante do universo” e que faz um show que parece um musical infanto-juvenil baseado tanto em 2001 como na Xuxa, dirigido por alguém do nível do Hans Doner cobrando por um lixo desses o que cobra.  Ainda por isso a organização cobra vergonhosos R$ 250,00 de entrada fazendo com que um público minguado assistisse a palhaçada espacial do Kanye, não dava pra esperar mais nada o resto dos dias. E esse foi o primeiro deles. O show é tão meia boca que o telão poderoso falhou várias vezes durante a apresentação e em vários momentos o Kanye tinha que se virar pra alguém que estava no canto do palco, na mesa de controle do elevador que tinha no meio do palco e pedia pra baixar a tal plataforma ou subí-la e insistia, quebrando qualquer possível clima que ele vinha tentando criar durante sua apresentação. Na minha opinião, o único momento bom do show foi a música Gold Diger, que nada a ver com o tema futurista, pareceu um oásis no meio de um deserto (marciano?) de lixo pseudo-cabeça-espacial.

O bom é que no outro dia, na quinta feira, teve Neon Neon e Klaxons, duas bandas que mostraram que num festival decente com mais gente tocando e não com atrações diluídas em vários dias pra poder cobrar uma entrada abusiva por dia, o TIM seria muito relevante, como vai ser com certeza o Haagen Dasz Mix Music e o Planeta Terra.

Neon Neon mostrou que a mistura do indie com a eletrônica é super pertinente e funciona muito bem e surpreendeu os incautos presentes que não pararam de dançar com a banda de abertura. E o melhor, a atração principal Klaxons, uma banda porrada que faz o real disco-punk, não parava de falar do Neon Neon e elogiar e dedicar música, isso pra dar idéia da relevância de uma Gruff Rhys do Super Furry Animals no cenário da música atual. Klaxons quebrou tudo, não deixou ninguém parado e a ótima banda ao vivo parecia melhor ainda que suas músicas gravadas. Foi surpreendente ver os caras não deixando pedra sobre pedra.

Eu perdi a sexta feira, o Gogol, Yoda, Dan Deacon e afins, me arrependi, mas paciência, minha sexta foi um cu mesmo!

Mas sábado, ah, sábdo. The National mostrou que eu estava certo em esperar tanto esse show e estava mais certo ainda por ter passado horas e horas e mais horas esse ano ouvindo tanto seu álbum Boxer. “I know I dreamed about, for 29 years before I saw you”. Uma banda com uma letra dessas numa música não é qualquer coisa, gente. Que banda, que músicos, que engenheiro de som fudido que equalizou o som perfeitamente durante o show, deixando com que todos nós tivéssemos a oportunidade de nos deliciarmos com canções perfeitas tocadas e interpretadas mais perfeitamente ainda. Eu confesso que em dois momentos eu chorei durante o show de alegria e de emoção: Matt Berninger, o vocalista, é o tipo de cara que durante uma canção morre e faz com que morramos juntos. Fazia tempos que eu não via um show de rock que me pegasse não só pelas entranhas, mas também pelo cérebro e pelo coração. Geralmente essas coisas de dissociam num show de rock, que pra mim é o melhor de música ao vivo que existe. Eu pirei com Muse uns meses atrás ao vivo, mas The National, ai ai ai , me lembrou os shows do Nick Cave, do Jesus And Mary Chain, do Radiohead no lançamento do OK Computer. Foi o show do ano pra mim.

E depois veio a farsa MGMT. O que me irrita em bandas hoje em dia é essa necessidade de se mostrarem roqueiras, com influências do heavy metal, nesse caso do Led Zeppelin. Bom, geralmetne essas bandinhas aparecidas são umas farsas e o MGMT não é exceção. Bandinha que começou com uma pegada psicodélica, hippie porcaria e que agora resolveu que o leggal é fazer show e vem tentando ao vivo. Eles deviam ensaiar uns 2 anos e em 2010 saírem em turnê. Alguém por favor avisa pra eles que deixar o som super alto não atenua a falta de talento? Com 3 músicas boas, um show de 1 hora é um saco, constrangedor.

Conclusão? Só por terem trazido The National eu tiro meu chapéu pro TIM, via-se que era uma banda perdida no tipo de festival que fizeram. Mas, por favor, repensem ano que vem, façam direito, espelhem-se em quem tem feito certo.

(foto by HelenaN)

Start wearing purple

domingo, outubro 26th, 2008

Eu vi Gogol Bordello pela primeira vez no Lollapalooza esse ano em agosto. Eu nunca nem tinha ouvido falar dos caras, mas as pessoas que estavam com a gente queriam assistir e como não tinha nada melhor na hora, resolvi ir junto. Era sábado a tarde, o dia mais cheio e provavelmente o mais quente do festival. Mesmo sem conhecer uma música, foi um dos melhores shows do Lolla e talvez um dos melhores do ano. Eu me apaixonei por aquelas pessoas estranhas no palco, pelas japinhas gritando, o Eugene correndo por todos os lados, a boina do cara do violino, acordeon (eu amo acordeon!) e toda aquela mistura inesperada. E me apaixonei pela receptividade do publico, como todo mundo dançava, pulava e cantava junto.

Quando soube que eles viriam para o Tim Festival, fiquei muito feliz, não era um show que esperava ver de novo tão cedo. Mas fiquei preocupada que talvez o impacto do show não fosse o mesmo, que talvez a banda fosse muito estranha para os “modernos” brasileiros e que talvez o publico não entendesse o que estava acontecendo ali.

E eu não podia estar mais errada. O que eu vi nessa sexta foi absurdo, o chão tremia, as pessoas não pararam de pular nem por um minuto. Uma roda punk se formou no nosso lado e uma grávida se esgoelava um pouco mais na frente. Um sósia do Jack Sparrow fez um mosh em Wonderlust King. E a banda estava alucinada, Eugene não parou e arrebentou uma corda do violão logo no começo. Ele até cantou um pouquinho em português – Morena tropicana e Ela não gosta de mim – enquanto cuspia vinho para cima (li em alguns lugares que ele está morando/morou no Rio, mas não sei se é certo isso). As japinhas entraram um pouco tarde, com uniforme do Santos Futebol Clube, gritando no microfone e fazendo aquelas coreografias sensacionais.

No final do show, o público ficou pelo menos uns 10 minutos pedindo bis, que não aconteceu. E quando Eugene voltou mais tarde para dar um tchau, todo mundo correu de volta para o palco.

Para mim, esse show superou o primeiro: não estava aquele puta sol – apesar de estar beeeeem quente na tenda -, não tinha tanta gente, ficamos bem perto do palco e dessa vez eu já sabia as músicas. Mas como um amigo meu disse: Esse foi o show que eu não conhecia nenhuma música mais divertido da minha vida.

(assista a partir de 5 minutos, para entender do que estou falando)

Menção honrosa: a última atração da noite foi o Dj Yoda, e foi muito legal também. A entrada foi à la Guerra nas estrelas – é claro – e remixou até o tema do Mário (meu lado nerd estava em êxtase :) )

Promoção relâmpago: ganhe ingressos para o Tim Festival

segunda-feira, outubro 20th, 2008

Nesta quarta-feira começa o Tim Festival, que teve duas baixas: The Gossip e Paul Weller, mas mesmo assim ainda restam boas atrações para serem vistas: Kanye West, Klaxons, Neon Neon, Gogol Bordello, The National e MGMT. Desta lista a única que eu ainda não vi foi Neon Neon, que promete.

Se você ainda não comprou seu ingresso e está aí no sofá titubeando se vai ou não vai porque não está afim de desembolsar dinheiros, eu vou te ajudar! Estamos DANDO alguns pares de ingressos para todos os shows. Válido somente para moradores da cidade de São Paulo:

-1 par para Kanye West [22/10 - quarta]

-2 pares para o Bossa Mod [23/10 - quinta]

-3 pares para Novas Raves – Neon Neon, Klaxons [23/10 - quinta]

-3 pares para Tim Festa – Gogol Bordello, Dan Deacon, Switch, Junior Boys, DJ Yoda [24/10 - sexta]

-1 par para The Cats – The Bill Frisell Trio (com Kenny Wollensen & Tony Scherr), Enrico Pieranunzi Trio e Tomasz Stanko Quintet [24/10 - sexta]

-2 pares para Ponte Brooklyn – The National, MGMT, Cérebro Eletrônico [25/10 - sábado]

Os ganhadores serão os primeiros a deixar comentário com email para contato. Informe os dias que deseja ir por ordem de preferência (será dado um par por comentário).

Para ver programação complete acesse aqui!

Kanye West vale o show

domingo, outubro 19th, 2008

Eu não sou grande fã do hip-hop. O último Lollapalooza só evidenciou o quanto o estilo está em alta (ele esteve em baixa alguma vez?). O festival conhecido por sua veia rockeira, teve seu último dia dedicado 50% à atrações hip-hop e com nomes de peso.

Eu acabei mudando de lado neste dia, já que até então eu estava sempre do lado direito do parque. Não tinha grandes intenções de ver Kanye West, porém como começaram a espalhar que o Obama passaria por lá, o Jade do rraurl.com pediu para que eu tentasse ver, afinal seria um momento histórico.

Minha credencial não dava direito ao pit, mas eu tinha recebido um email da assessora do NIN perguntando quem gostaria de fotografar o show, pois ela iria analisar os veículos e liberaria acesso para alguns. Como grande fã da banda, eu tratei logo de tentar a sorte e recebi o email confirmando que meu nome estaria na entrada.

O grande problema é que o show do Kanye West começaria meia-hora antes do NIN e eu não conseguiria chegar a tempo do outro lado para poder usufruir da minha conquista. Choramingando eu abri mão e segui com minhas amigas para ver o Kanye. Confesso que demorou para eu relaxar e resolver curtir.

Quando os primeiros gritos vindo lá da frente ecoaram no parque anunciando o início do show e um show de luzes e fumaça invadiu o palco, eu confesso que me arrepiei. Kanye West é o que podemos chamar de show-man. Ele é do tamanho do palco! Se esparrama por ele dançando de um lado para o outro. Envolve de uma forma que, mesmo não sendo grande apreciadora de sua música, eu me rendi. Os primeiros acordes de Stronger para então dar forma a Good Morning, que foi a música de abertura de um show que durou 2 horas, levou o público ao delírio.

Eu já não esperava mais a presença do Obama e uma aflição tomou conta por ter NIN do outro lado me aguardando. Nunca me senti tão dividida. Obama de fato não apareceu e eu curti as 4 primeiras músicas do show: Good Morning, I wonder, Through the Wire, Champion. De lá voei e consegui ver o NIN (ainda bem, pois eu até estava tranquila, já que assistiria a banda aqui em São Paulo e o show acabou sendo cancelado) num show inacrível.

Depois desta experiência, eu retornei ao Brasil querendo rever as duas atrações e somente o Kanye West é que vai acabar acontecendo (se nada rolar até quarta-feira). Sei que o ingresso está absurdamente caro (R$ 250,00 a inteira, mas a meia + desconto Tim acaba saindo por R$ 100 e quem comprou para ver Gossip, ainda pode pegar um ingresso adicional de graça para qualquer dos dias) e Kanye nem é tão unanimidade aqui quanto nos EUA, mas o show vale a pena ser visto. Esqueça Madonna, Kanye é muito mais show e música. Quarta-feira estarei lá, provavelmente me arrepiando como me arrepiei no Grant Central Park em Chicago.

Segue o setlist do show no Lollapalooza 2008:

Good Morning
I Wonder
Through the Wire
Champion
Put on For My City
Get ‘Em High*
Diamonds From Sierra Leone
Can’t Tell Me Nothing
Flashing Lights
Homecoming
Touch the Sky
“Tell your kids about me”/70s Computer–>Computer in your Phone (with Macbook Air tease)/Kanye West/ James Brown/Jimi Hendrix
Golddigger
Jesus Walks

Bis
Hey Mama
Don’t Stop Believing
Stronger

Planeta Terra e a nova geração de festivais no Brasil

domingo, outubro 19th, 2008

Todo fim de ano é a mesma coisa: todo aquele marasmo do ano inteiro é compensado por uma enxurrada de shows que acabam com energia e o bolso dos mais animados. Confesso que eu sempre faço um pouco de corpo mole, mas chega em cima da hora eu começo a me desesperar por não ter comprado este ou aquele ingresso. Um dia vou conseguir fazer uma caixinha durante todo o ano para segurar a barra entre outubro e novembro.

Esse ano eu me adiantei e comprei logo de cara todos os convites que queria para o TIM Festival e o Planeta Terra. Depois apareceu show do REM, Cyndi Lauper, Duran Duran… Ainda por cima, um dos shows que eu estava mais empolgado, o Gossip, foi cancelado. Um zona! Acabei dando uma broxada. Mas vamos que vamos, porque depois nós passamos de dezembro a agosto lamentando a falta de shows.

No fim das contas o que eu mais tenho guardado minhas expectativas é mesmo o Planeta Terra. Nem preciso falar que o line-up é de primeiríssima qualidade (Bloc Party, Spoon, Calvin Harris… se mata), mas lembrando o festival no ano passado, a excitação só aumenta. Enquanto os festivais no Brasil contam com um longo histórico de má organização, este pelo menos mostrou que tem a mão para fazer um evento com refinamento europeu por aqui.

O line-up intercalado, que é tão corrente por lá, aqui começou a ser usado só agora aqui, e eu pelo menos ainda não aprendi a usá-lo decentemente. Ano passado acabei perdendo o show do Rapture por ficar extasiado vendo os tiozões do Devo até o fim. Verdade seja dita, não é o sistema ideal, mas é o que funciona melhor. Ou alguém quer acabar como no show do Killers ano passado, às 6 da manhã de segunda-feira?

No fim das contas, além de enxugar um pouco o tempo de shows, o sistema adotado pelo Planeta Terra acaba por evitar muvucas, apertos e esmagações tão comuns por aqui. Aliás, nesse quesito o festival do portal foi simplesmente impecável ano passado: nenhuma fila para entrar ou sair; muitas áreas para circular e fazer coisas bacanas entre shows; banheiros limpos, organizados com cheirinho de sauna por causa dos eucaliptos e pinheiros espalhados pelo chão.

A escolha da Vila dos Galpões na Marginal Pinheiros foi uma ótima sacada por oferecer algo mais interessante e melhor estruturado que o tedioso sambódromo. A cenografia valorizava muito as árvores e dava para todo o espaço um ar meio soturno, com luz bem baixa. Os galpões também carregavam uma cara industrial, bem de garagem, bem indie. O único problema que eu lembro era o galpão dos DJs, que ficou espremido em um canto isolado, difícil de achar e pouco integrado com a festa que rolava no resto.

Enfim, o problema de se montar um bom evento é que as expectativas vão lá para cima, e manter o padrão, ou até melhorá-lo no ano seguinte é uma tarefa árdua. Rezemos para Nossa Senhora da Música Boa para que não aconteça com o Terra o que aconteceu com o TIM, depois que eles se mudaram de vez para o Rio de Janeiro, e deram as costas de vez para o público paulistano. Quem esteve nos shows do Jockey, sabe o que eu estou falando.

+ Tim e outras coisinhas

quarta-feira, junho 27th, 2007

Depois das confirmações de Killers, Juliette & The Licks, Björk e Arctic Monkeys, anda rolando por aí que também vem Girl Talk (que eu tinha ouvido falar que viria para o Resfest e não rolou… aliás, as músicas mashupadas por ele estão disponíveis para download no myspace), Amy Winehouse e Hot Chip. E outro passarinho soprou que também vai ter Kaiser Chiefs (uhuuuuu, minha maior expectativa, porque eu amo!). Como a Tim não costuma ser muito generosa com São Paulo, já vale ir guardando uns trocadinhos para curtir o festival no Rio (vamos ver o que vai ser). Verifiquei as agendas e todos estão sem shows marcados nas datas do Tim, o que pode ser um bom indício.

Aproveite e se delicie com a revista Playmusic, que disponibiliza o conteúdo na íntegra na web e é uma das mais interativas (e bacana) que conheço. Uma dica da Flávia Durante é o programa “Dinner With The Band” reúne culinária e música indie. Apresentado somente na internet pelo chef Sam Manson, o show já recebeu convidado ilustre como a banda canadense Tokyo Police Club. Vale conferir!

Tim Festival – confirmações

terça-feira, junho 19th, 2007

A Canivello Eventos confirmou em seu blog a vinda do Arctic Monkeys, Juliette & The Licks e o The Killers para o Tim Festival que rola entre os dias 25 e 31 de outubro em SP, RJ, Curitiba e Vitória.

No Rio o festival vai ser novamente na Marina da Glória, em São Paulo o festival será dividido entre o Auditório Ibirapuera e a Arena Skol no Anhembi. Já em Vitória rolará uma versão compacta e acontece no Teatro UFES e Curitiba na Pedreira.

Agora é contar os dias para a nossa temporada de festivais, que até tem melhorado bastante.