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Circuito R-Design: um dia por São Paulo – parte 2

quinta-feira, fevereiro 3rd, 2011

O centro de São Paulo tem um ar nostálgico, os calçadões, o vai e vem de pessoas de todos os tipos possíveis, o ar que transpira pressa. No final de semana o ar nostálgico continua, mas dá lugar a calmaria que se instal nas suas ruas, as portas do comércio cerrado.

No post anterior, eu terminei o circuito R-Design no Edifício Martinelli, que eu coloco as mãos no rosto envergonhada ao assumir que pouco reparei nele até essa última passeada. Vou falar: a construção é de encher os olhos!!!! Imponente com seu estilo art-deco, ele deve estar no roteiro de quem está afim de se aprofundar um pouco mais na história da arquitetura da nossa cidade. Além disso, ele é um marco na arquitetura nacional e foi um símbolo de progresso para a cidade (na mesma época em que a bolsa de NY quebrou).

Para quem não sabe, a festa luxo de 15 anos do SPFW foi no topo do edifício. Dá uma olhada na vista incrível:

foto por Carlos Prates pra RG

Imprescindível conhecer. Ele é lindo de morrer. Aproveita e siga a minha dica final de marcar uma visita guiada e se jogar  nas histórias recheadíssimas que a construção abriga.

Subindo a Av. São João, eu cheguei no meu canto favorito dessa parte do Centro: a Praça Antonio Prado, que possui em estilo retrô um coreto, dois quiosques com engraxates à moda antiga, uma banca de jornal e cabine telefônica. Em volta tem a Bovespa (que eu tenho um certo fetiche, confesso), o famoso prédio do Banespa, que é um dos principais pontos da região e o São Jorge, para dar uma parada, sentar para contemplar esse delicioso canto enquanto se deleita com um copo de chopp bem tirado (recomendo sentar na varanda). Estando ali durante a semana, recomendo fortemente uma subida no topo do Banespa, que tem 161,22m de altura e proporciona uma das vistas mais lindas de São Paulo. As visitas rolam de 2ª à ª das 10 às 15h.

Os prédios que cercam a praça com o Banespa ao fundo:

foto by Eduardo Záratefoto tirada por Eduardo Zárate

Depois de uma relaxada por ali, seguimos para o Centro Cultural Banco do Brasil, que fica na Rua Álvares Penteado x Rua da Quitanda (olha no mapa antes, porque é super fácil se perder por ali). O prédio foi construído para abrigar a 1ª agência do Banco do Brasil, em São Paulo, nos anos 20. O arquiteto que executou o projeto foi Gustavo Pujol e se diferencia por janelas emolduradas por imensas pilastras. Quando decidiram transformar o local num centro cultural, acabaram convidando Luiz Telles para executar o projeto. O CCBB foi inaugurado em abril de 2001 com toda pompa merecida. A programação é sempre intensa e vale a pena ficar de olho. Várias exposições importantes, assim como espetáculos, já passaram por lá. Atualmente o CCBB está com a exposição “Islã: Arte e Civilização”, que reúne 300 obras contando 1.400 anos de história do Islã. A exposição fica por lá até 27 de março com acesso gratuito.

foto tirada por Ola Persson

Além da agenda cultural, o CCBB conta com um delicioso café, com uma charmosa área externa para dias ensolarados. Também tem uma pequena loja, que sempre tem achados literários e objetos de design.

foto tirada por Ola Persson

Vale se perder nas ruas XV de Novembro, da Quintada, Álvares Penteado, entre outras, apenas apreciando os edifícios construídos na primeira metade do século XX e que muito contam sobre a história de São Paulo.

Ao redor tem várias coisas, mas como o tempo estava se esgotando, acabamos nos refrescando no jardim do Pateo do Collegio, que tem um pequeno restaurante, com preços honestos e atendimento bem simpático.  Vale lembrar que o Pateo já tem cerca de 450 anos de história pra contar. Com um país tão novinho como o nosso, ele é super jovem. Super bem conservado, arborizado, com aquele sino imenso na entrada disponível para quem quiser tocar, o jardim interno e a vista de um lado da cidade mais degradado (o Parque Dom Pedro).

eu no pateo by ola persson

área interna do pateo by ola persson

O Pateo é sede de diversos eventos,casamentos, além de abrigar o museu, a cripta de José de Anchieta, a igreja no local onde foi realizada a primeira missa da cidade, a biblioteca temática, e abriga ainda diversos projetos sociais, como o Centro Loyola,projeto OCA e o projeto EMBU.

Eu tive o privilégio de tocar lá numa edição da Virada Cultural em plena luz do dia. Foi um contraponto para mim a festa e o local, o que eu adorei.

Para voltar para o local onde partimos, decidimos subir a Rua São Bento até a Praça do Patriarca, que em em 2002 ganhou o pórtico-cobertura-monumental de estrutura metálica e fatura ultra-contemporânea, projetado por Paulo Mendes da Rocha, juntamente com Eduardo Colonelli.

A Praça do Patriarca já foi um lugar bem feio onde eu sempre passava para ir até a antiga loja Woodstock, que ficava em frente ao metrô Anhangabaú. A nova obra deu uma cara mais acolhedora e artística ao local. Sempre há intervenções por ali, além dar uma visual bem mais arrojado, que contrasta com a arquitetura que cerca o pórtico:

Pórtico Cobertura @ Praça do Patriarca

Atravessamos o Viaduto do Chá, que dá uma bela visão do Vale do Anhangabaú por completo; atravessamos a Barão de Itapetininga até alcançar a Praça da República. Confesso que por ali pouco chama a minha atenção com exceção dos pregadores de vida extra-terrena, que estão sempre com cartazes e TV ligada no meio do calçadão.

Antes de terminar nossa jornada, acabamos caminhando até o Copan, um dos marcos mais lindos de São Paulo. Acabamos tirando fotos, percorrendo as lojas. Por ali há dois lugares que valem um parada, seja durante o dia ou à noite: o Bar da Onça (não sou fã de almondegas, mas eles fazem as melhores do mundo) e a Padaria Santa Efigênia (opte pelo sanduíche mineiro, que é com queijo branco e filé).

Copan by Ola Persson

No próximo post, que é a terceira e última do Circuito R-Design, eu falo sobre a parte gastronômica, que me fez lamber os beiços e também de onde a noite terminou (e foi longa!!!).

Que tal ir pra Russia pagando R$ 800?

quinta-feira, janeiro 20th, 2011

A Rússia sempre povoou meus pensamentos sobre destinos turísticos, mas claro que eu ainda não embarquei pra lá. Hoje a vontade aumentou ao ler o tweet do @jeffpaiva contando que é possível encontrar passagem ida-volta por R$ 780,00. Nada mal, hein? Ontem fui dar uma espiada no preço de uma passagem ida-volta para Recife para esse final de semana e não consegui nada por menos de R$ 2.500,00 e está aqui do lado, quando comparado com a Rússia.

Para conseguir tal proeza de viajar por menos de “milão” para a terra dos czares, basta ficar de olho no site da S7, que é uma das companhias aéreas que mais cresce na Rússia. A parceria da companhia é com a Iberia, então o vôo é com escala em Madri(escalas geralmente permitem uma parada com tempo maior, ou seja, ainda dá para dar uma esticadinha em terras madrilenhas). Essa promoção pode ser encontrada ao longo do ano, ou seja, tem que ficar de olho. Deixa o site aberto aí todo dia, que uma hora consegue. Eu fiz um teste considerando já início de alta temporada e ida-volta para Sao Petersburgo saiu cerca de R$ 1.600,00, o que também é um preço bem atrativo.

Li que o visto para entrada na Rússia caiu, mas no site da Embaixada ele ainda consta como necessário. Então caso resolva mesmo embarcar em tal aventura, sugiro entrar em contato com o consulado antes de partir.

Aproveitando o post, fica também a dica do site Momondo, um Decolar dinamarquês, mas também com opção em português. Fiz várias pesquisas de passagens e achei valores bem melhores que no Decolar ou diretamente nos sites da cias. aéreas.

Viajar está ficando cada vez mais fácil (e o aeroporto cada vez mais com cara de rodoviária! hehehehehe)

via Melhores Destinos e @jeffpaiva

Hospedagem personalizada: airbnb

terça-feira, dezembro 21st, 2010

Já falei por aqui sobre o Couch Surfing, que é uma ótima opção para quem vai viajar e quer mergulhar ainda mais na cultura local, já chegar fazendo amigos e se sentir amparado em terras estranhas, além de economizar uns trocados.

Agora envelheci um pouco e fiquei um pouco mais chata, querendo uma cama mais confortável ao invés da aventura em um sofá. Nas minhas últimas viagens as opções foram hotéis (baratos) ou casa de amigos.

Há uns dias atrás, enquanto eu vasculhava desesperada por opções para o meu reveillon, que foi por água abaixo em cima da hora, a Haydeca e o Ola sugeriram que eu conhecesse o airbnb, o qual fiquei viciada mesmo já com o pacote de final de ano fechado (e virada de ano salva!!!).

O airbnb é uma comunidade em que as pessoas disponibilizam suas casas, apartamentos, barcos, castelos ou seja o que for um lugar normal ou inóspito, para se hospedar. A maioria mora no local e tem quarto de hóspedes, que aluga para quem estiver afim de pagar. Assim como o Couch Surfing, muitos dão uma boa mão na viagem, basta conferir os reviews dos viajantes.

Captura de tela 2010-12-21 às 19.42.59

O que me deixou boquiaberta foi a extensa lista de opções em qualquer canto do planeta, além de ter opções para todos os bolsos. Se você está duro e busca um sofá para alugar, você vai encontrar; se você quer passar uns dias morando numa casa em cima de uma árvore, você vai encontrar; se seu sonho é dormir num barco no coração de Paris, você também vai se dar bem; se sua pretensão é reunir os amigos e alugar um castelo, você vai achar; se você está encontrando um lugar inusitado e de fazer todo mundo cair o queixo com seu casamento, também vai achar; se você um dia sonhou que morava num avião, procure lá que também irá encontrar um para passar uns dias confortavelmente; ser quer ter a experiência de se hospedar num igloo, tem também.

Captura de tela 2010-12-21 às 19.44.43

O site oferece várias listas com uma curadoria de lugares de acordo com o que o viajante está a procura.

Captura de tela 2010-12-21 às 19.40.46

O aplicativo é outro deleite a parte, pois traz todas as facilidades do site, tem geolocalização, em que o usuário pode buscar por locais para ficar nas redondezas de onde estiver, além de ver de imediato se o local está disponível. O aplicativo traz também uma oferta diária com descontos consideráveis

Captura de tela 2010-12-21 às 19.42.17
Depois de ter passado dias grudada no airbnb, o que eu posso dizer é que não farei mais viagem sem consulta-lo, pois as opções são muito melhores (e especiais) que hotéis, fora que a impressão que dá é estar visitando um site de Arquitetura & Design, de tanto deleite visual de tantas casas incríveis e lugares paradisíacos.

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São Paulo, a número 1

sábado, janeiro 23rd, 2010
Sao Paulo by Ola Persson

Sao Paulo by Ola Persson

No próximo dia 25 nossa cidade comemora 456 anos e, mesmo em meio aos problemas sérios que estamos enfrentando com alagamentos, desabamentos, etc, São Paulo está melhor do que nunca.

Eu sou muito urbana e gosto da vida em cidades grandes, tanto que minhas cidades favoritas são grandes metrópoles. São Paulo me atende razoavelmente bem. Não vou entrar na discussão no momento dos pontos negativos que temos por aqui, mas ressaltar a parte boa. Também não vou entrar no mérito sobre qualidade de vida, pois quem mora em cidade grande é que tem que se policiar para conquistar alguma.

Na quinta-feira, o caderno de Turismo da Folha chamou a minha atenção ao ter um especial sobre turismo em São Paulo. A cidade que sempre foi vista apenas como um lugar para vir a negócios, tem se tornado cada vez mais um lugar para se conhecer. O guia Wallpaper São Paulo termina o texto de apresentação da cidade com uma dica para vir conhecer São Paulo logo, antes que ela seja invadida por uma horda de turista.

Eu fico bem feliz em ver nossa cidade sendo comentada nos 4 cantos do planeta e, de uma hora para outra, de encontrar pessoas interessadas em vir passear por aqui. Adoro sentar para pensar em roteiros e ciceronear amigos, inclusive tenho até um desejo antigo que é um dia me dedicar em escrever um guia paulistano.

Sao Paulo by Ola Persson

Sao Paulo by Ola Persson

No ano passado a revista Wallpaper fez uma edição especial listando 40 razões fabulosas para você estar em 10 cantos selecionados no planeta, sendo que um deles foi o Brasil e uma boa parte das razões estavam justamente em São Paulo.

Enquanto eu pesquisava coisas sobre a cidade, achei um texto que o Zuenir Ventura escreveu há alguns anos sobre São Paulo, que vale a leitura, além de um texto homenagem que fiz no aniversário da cidade em 2005, que vou até reproduzir um trecho aqui:

As opções são infindáveis: gastronomia para todos os paladares, botequins em muitas esquinas, vida noturna agitada para todos os gostos, uma das maiores mostras de cinema do mundo, peças teatrais de tudo quanto é canto aterrissa por aqui, opções de malhar na madrugada, café a qualquer hora, espetáculos para todos os gostos, parques bacanas, sol, chuva, frio, grandes marcas, brechós, feirinhas de artesanato em vários cantos, museus bacanudos, bienal de artes, desfiles de moda entre tantas outras coisas. Você pode se sentir em Londres, em Paris, em Nova York, no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo sem sair daqui.

São Paulo me enlouquece, me enrusbece, me derrete, me encanta. Não é apenas dual, é mais que isso, pois é cheia de incertezas. Às vezes se comporta como gente grande, às vezes parece uma criança. Pode ser sensata, às vezes um tanto ingrata ou mesmo mimada. Tudo é longe e ao mesmo tempo tudo é perto. População numerosa e ao mesmo tempo a impressão é que todos se conhecem. Às vezes nos envelhece, às vezes nos rejuvesnece. Muita gente diz que odeia, mas não cogita sequer sair daqui.

Com todas as suas loucuras, eu prefiro perceber os seus encantos e me deleitar neles.

Mas o que deu origem a esse post foi a surpresa que tive ao ler o post que PSFK publicou nessa semana a lista das 20 melhores cidades para se viver no mundo, feita pelo Hub Culture, a partir de questionários feitos para os membros da rede e análises sobre a cidade. A número 1 desse ano foi São Paulo. É, São Paulo. O próprio PSFK coloca um interrogação na frente com a surpresa do resultado. Copenhagen que é considerada um dos melhores lugares para viver, ficou em sétimo e Berlin ficou em segundo lugar.

Eles resumem a cidade como um lugar jovem, onde tudo acontece, possui uma população vibrante e está num boom de consumo. A vida noturna está cada vez melhor e citam também o fato de termos o restaurante DOM (pena que são pouquíssimos os que tem $ para ir lá). São Paulo é vizinha da cidade que vai abrigar as Olimpíadas, Rio de Janeiro. Temos um presidente dinâmico (cof, cof, cof, cof), uma das moedas mais estáveis do mundo e um senso de otimismo (a velha história que por aqui a esperança é a última que morre) e que estamos num momento de criação do maior centro urbano do hemisfério sul. Claro que diz que o nosso grande problema ainda é a criminalidade.

De qualquer forma, acho que é um presentinho e tanto de aniversário para São Paulo, mas acho que há muito o que fazer por aqui ainda para realmente merecermos essa posição.

Parabéns São Paulo!!!

Loaded in Rio

sexta-feira, janeiro 30th, 2009

Aproveitando a estréia de ontem de noite da Lalai aqui em pickups cariocas com a sua Crew, no Penélope, inauguramos os trabalhos aqui da sucursal carioca do Loaded. E de começo, vamos da básica dica de lugarezinhos escondidos porém imperdíveis para fugir dos programas turísticos na cidade.

jb-grafite

Naqueles dias preguiçoso de domingo no quais, apesar do céu azul e do sol ao alto, tudo o que você quer é fugir do oba-oba das praias, a boa dica é um passeio pelo bairro Jardim Botânico, aqui no Rio. O JB, além de ser conhecido por abrigar o jardim em si e a TV Globo, também serve de galeria para artistas de rua de muito bom gosto. Não há uma rua que não tenha recebido uma das bela artes dos grafiteiros Flashback Crew e seus dissidentes.

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I’m throwing my arms around Paris

segunda-feira, janeiro 19th, 2009

Dar dicas de programas em Paris é correr o risco de falar do óbvio: você abre o roteiro de filmes e estão lá A Bela Junie e A Fronteira da Alvorada; você confere os lançamentos em música e Morrissey canta I’m throwing my arms around Paris. A cidade-luz é onipresente.

De qualquer maneira, como cada um estabelece uma relação com as cidades que mais gosta (tem seus locais preferidos, pratos que não deixa de comer, ruas que não deixa de passar), selecionei alguns passeios na capital da França. Se você lê francês, a primeira coisa é comprar a Inrockuptibles da semana e dar uma geral na programação cultural, além de aproveitar a ótima mistura de matérias de cultura francesa e internacional da revista. Amuse toi bien!

Paris vista a partir do Georges PompidouParis vista a partir do Georges Pompidou

Paris vista a partir do Georges Pompidou

.Les Catacombs (metrô Denfert-Rochereau)
São as catacumbas. Você anda por baixo da terra por cerca de meia hora, só vendo ossos e ossos de cemitérios que foram transferidos do que hoje é o centro de paris (Beaubourg) pra esse local. É surreal, frio e úmido. Gosto pelo inusitado.

. Château D’Eau (metrô Châteu D’Eau)
É uma região onde habitam africanos de ex-colônias francesas. Vale dar uma passeada porque tem mercadinhos com produtos indianos, restaurantes ótimos com comidas bizarras e acessíveis (menos de 10 euros a refeição), além de você ouvir as mais variadas línguas e dialetos, exceto o francês. Evidente que este bairro não aparece em nenhum guia. Ao descer do metrô, você será abordado por um monte de gente com ofertas para cortar cabelo e para vender coisas. Em Château D’Eau,  paga-se bem menos por produtos básicos (como cartões telefônicos para fazer ligações internacionais).

. Château Rouge (metrô Châteu Rouge)
Também bairro de descendentes de ex-colônicas francesas na África. Esse metrô é curioso, não parece Paris: muitos pulam a roleta,  óculos/cintos são comercializados nos corredores e os fiscais da RATP fazem vista grossa. Tipo Brasil. Saindo do metrô, você vai ver que de um lado tem milhões de ruelas, cheias de africanos vendendo comida na rua (de frutas a peixes) e bares mais trashs, estilo centrão. Do outro lado, atravessando o boulevard, você está quase em Montmartre – ou seja, o oposto. Dá pra seguir pela Rue Custine e subir uma escadinha que tem nela pra chegar no Sacre Couer.

. os arredores da estação Glacière do metrô
Gostava muito de caminhar e me perder por essas ruas. É totalmente parisiense: feirinhas, pequenas casas, hotéis baratinhos, lavanderias e todo o clima de Paris, inclusive a sede do jornal Le Monde.

. Bibliothèque Nationale de France François Mitterrand
Adoro o deck de madeira gigantesco e as linhas retas e áridas: é super fotográfico. Dá pra sentar e pegar um sol, dá pra ir no cinema e comprar dvds e livros, além de tomar um café.

. Parc de Bercy (metrô Bercy)
É lindo e tem a Cinemateca. Não tem como ir pra Paris e não dar uma passada por lá, seja pra ver algo ou pra pegar os guias de programação com vários textos longos sobre cinema cult.

. 13º arrondissement (metrô Place d’Italie)
O 13º é um bairro de urbanização mais recente, com torres e prédios altos. É, também, onde tem a maior concentração de restaurantes e supermercados de povos asiáticos. Um hit absoluto de podutos freak asiáticos é o supermercado Tang Frères  (48, avenue d’Ivry Paris): esse super vende suco de aloe vera, suco de coco queimado, além de outras delícias insuspeitas, como massas miojo turbinadas.

. Parc André Citroen (metrô Balard)
Tem que andar umas duas quadras a partir do metrô (veja no Google Maps). É um parque muito, muito legal e sem turistas. Tem parisienses, verde e a vontade de fazer piquenique.

. A creperia Chez Josselin (67, Rue du Montparnasse – metrô Edgar Quinet)
Um dos melhores crepes de Paris, segundo minha amiga francesa. Não é muito caro, é de fato bem bom e bem charmoso. De sobremesa peça o crepe de mel.

Programas óbvios que valem a pena
. Subir no Arco do Triunfo
A vista do Arco no fim de dia fala por si.  Não tem elevador; esteja preparado para enfrentar a escadaria.

. Canal de Saint Martin
Mais uma das incontáveis atrações lindas da cidade. Vá percorrendo toda a extensão do canal, a pé. Tem bares, cafés, lojas de livros e roupas e acessórios descolados, inclusive fotografia. Branché (descolado), como eles dizem.

. Parc de La Villette (metrô Porte de La Villette)
Parque gigante, onde rolam vários shows no verão. Vá em dia de sol! Tem um cinema incrível, com a arquitetura em formato de bola metálica, La Géode, que passa filmes numa tela que te cobre inteiro, tipo 360 graus (ok, não é 360 graus, mas você entendeu o que eu quis dizer).

Dicas para curtir Buenos Aires

quinta-feira, janeiro 8th, 2009

Cheguei em Buenos Aires no dia 26/12 à noite. A primeira impressão boa já rolou no aeroporto. Não demorou muito para conseguirmos um táxi. Enquanto dentro do saguão o táxi custa $ 130 pesos, na área externa era possível fechar por 80. Acabamos fechando um táxi para 6 até Palermo por $ 140 pesos.

Sempre que se comenta sobre Buenos Aires, se ouve na sequencia “Buenos Aires é tão barato”. Esqueça isso, pois virou lenda. Isso foi antes da tal crise econômica mundial e hoje não se janta aqui em um bom restaurante por menos de $ 70 pesos (comida e bebida, mas sem sobremesa). A história é outra, mas ainda é mais acessível que São Paulo.

Quando escolhemos nosso apartamento, ficamos bem felizes por ser em Palermo, mas hoje brinco que ficamos em Palermo Bagdá (Puerrydon x Cordoba). Fica exatamente no último pedacinho do enorme bairro Palermo. A parte boa é que o deslocamento foi bem fácil para qualquer parte da cidade, tanto de táxi, quanto de metrô e ônibus. Se você for vir para cá, este apartamento tem bom custo & benefício e tem uma boa localização para quem vai a cidade fazer turismo, pois fica no meio dos principais bairros.

Como marinheiros de primeira viagem, acabamos parando em um bar bem caro em Recoleta logo que chegamos, no qual entendemos que o chopp custava $ 14 pesos, mas na compra de um, ganhava-se outro. Na hora de pagar a conta descobrimos que custava $ 24 a tal “dobradinha”.O bairro é um dos mais bonitos e vale gastar um dia caminhando por lá.

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Praia no Rio? Que praia?

terça-feira, janeiro 6th, 2009

Fui passar alguns dias no Rio de Janeiro para aproveitar coisas ótimas que a cidade oferece, exceto as praias – que, vamos convir, são todas meio iguais: mar lindo e agitado e uma vista com morros, eventualmente tomados por favelas.  Me interessava pesquisar a vida fora da areia, maneira pela qual cheguei a quatro vibes muito características do Rio (fin-de-siècle, anos 20-30, anos 50-60, anos 00), todas com atrações bacanas, pra você ficar bem longe de quem quer se bronzear comendo biscoito globo.

. Fin-de-siècle: sabe a virada do século XIX pro XX, naquele espí­rito famí­lia real e decoração carregada? Os cariocas adoram e mostram as razões pelas quais já foram a cidade mais importante do paí­s. Aqui entram a Confeitaria Colombo do Centro (a do Forte de Cocapabana é um truque pra captar turistas), que nem tem doces tão bons assim, mas vale pelos lustres absurdos, espelhos e elevadores de época; o Paço Imperial (tipo a Pinacoteca de São Paulo), que exibia uma ótima exposição sobre o Roberto Burle Marx, incluindo os estudos feitos à mão da calçada de Copacabana e do Aterro do Flamengo projetados por ele, além de tapeçarias, gravuras e pinturas; e o Palácio do Catete, com os jardins grandes e toda a exuberância (monótona) de museus que contam histórias de governantes.

. Anos 20-30: é muito legal pegar o bondinho na Lapa e subir o morro até Santa Teresa, ambos bairros hypados pelo Noel Rosa e a galera do samba. Santa Teresa enfileira casarões caindo aos pedaços, não tem sinal de celular nem caixa eletrônico, mas seus largos, restaurantes e lojas de artesanato fino compensam muito o trabalho de chegar até lá. Aqui, o samba antigo e os “malandros” são originais. Desça também de bondinho e ande pelos arredores pra ver a arquitetura bizarra e encantadora dos prédios da Petrobrás e da Catedral Metropolitana.

. Anos 50-60: a letra de Lí­gia, do Tom Jobim, resume tudo. A bossa nova hypou Ipanema, Leblon e Copacabana, antes do Rio praticamente estacionar nos anos 70 e se alimentar de saudosismo, até hoje. Quer algo mais a cara do Rio do que uma foto amarelada tirada na praia de Copacabana? Vale cada centavo da revelação do filme. Seguindo na onda o barquinho vai, a tardinha cai, destaco o suco de cupuaçu vendido nas várias lojas de frutas da rua Visconde do Pirajá, em Ipanema; e as confeitarias Garcia & Rodrigues e Talho Capixaba, ambas na Ataulfo de Paiva, no Leblon, que servem sanduí­ches perfeitos, feitos com os melhores ingredientes. Não é difí­cil comer bem no Rio – muito pelo contrário, é uma nova possibilidade de sabor em cada esquina. 

. Anos 00:  são os poucos pontos superconectados da cidade, livres do ranço praia/samba e que poderiam estar em qualquer metrópole. Aqui incluo o único local em que fui bem atendido, o ótimo restaurante Zuka, no Leblon. De entrada você pede a experiência de foie gras; como prato principal, o filé negro com purê de pequi; e, para a sobremesa, o brownie de pistache com calda de frutas vermelhas. Falar em 00, o famoso 00, no Planetário da Gávea, também tem um restaurante com cardápio delicioso, junto com uma pista e um deck com bar ao ar livre – tem algo em São Paulo assim, que junte bar/restaurante/pista e dê super certo? Ah! E o Dama de Ferro, que todos conhecem, é a balada em que vi mais gente animada dançando bom som eletrônico no meio de uma estrutura fria de aço, vidro e luz vermelha – inferninho chique.

Tem pra vários gostos e bolsos, e é super prazeroso andar pelas ruas super arborizadas, se sentindo sempre num cartão postal. Mas esteja preparado para o serviço precário, uma constante nos estabelecimentos do Rio: você tem que reforçar seu pedido em média três vezes, e ter muita paciência. Apesar de ser uma cidade turí­stica, a  comida demora pra vir, os garçons são atrapalhados e a conta sempre traz itens a mais.  Nessas horas, nem a certeza de ter sempre uma vista linda de mares e morros é consoladora.

Santa Teresa, no Rio de Janeiro

A coroa da rainha

quarta-feira, março 26th, 2008

Saiu o resultado do concurso da comemoração dos 120 anos da mundialmente famosa Torre Eiffel, proposto pela Société d’Exploitation de la Tour Eiffel. O vencedor foi o escritório Serero Architects, com um projeto que não poderia ser mais surpreendente e ao mesmo tempo polêmico, considerando que estamos mexendo no âmago do orgulho francês.

Nova cara da Torre Eiffel

A torre, que hoje é o maior emblema do turismo arquitetônico mundial, foi concluída em 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel como uma base para comportar os mais diversos equipamentos para estudos relacionados à gravidade e à força do vento, sendo portanto, capaz de abarcar inúmeras vezes o peso suportado hoje. Tanto que até a Primeira Guerra Mundial, a torre servia de suporte para inúmeras antenas de rádio com transmissão para todo o país. Com seu sucesso do seu potencial turístico, a estrutura centenária foi despida de suas capacidades físicas e científicas, mas se viu refém de seu próprio sucesso, e hoje opera em capacidade máxima, deixando seus visitantes esperando até mais de uma hora por uma viagem ao topo.

Vista inferior

Tendo estas premissas em mãos, unindo tecnologia de ponta e uma boa dose de ousadia, o escritório vencedor propõe uma plataforma temporária que dobra a área do terceiro andar da torre (de 280 para 580m2), e com isso reduz as filas no térreo. A estrutura é feita em Kevlar, uma fibra polimérica da Dupont cinco vezes mais resistente que o aço, que além de ser apenas amarrada e não interferir na estrutura original, pesa absurdos 1.200kg (você pensou certo, o peso de um carro médio).

Para mim, como velho e cansado brasileiro, o fato mais chocante deste projeto é o custo previsto da obra, em míseros 1,3 milhões de euros, dinheiro que aqui seria suficiente para TALVEZ construir um ponto de ônibus. E dos mais simples, nada de sofisticação, hein? Por isso vou começar a guardar minhas moedinhas para ver se consigo conferir de perto o aniversário da ‘dama de ferro’.