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A vida e Sondre Lerche
sexta-feira, março 26th, 2010Dia 24 de novembro de 2009 foi meu último post aqui no lalai.net. Depois disso viajei de férias para o Brasil, vi quase todos os amores da minha vida, bebi muito, comi muito, sorri muito, dancei muito, surtei muito e chorei na volta pra casa. Chorei igual a uma criança por todas as pessoas que deixei pra trás. E por um instante cheguei a odiar Nova York por me fazer sentir toda essa saudade. E depois da chegada, muitas coisas me levaram ao ostracismo. Isso mesmo. Fiquei durante todo esse tempo escondidinha no meu mundinho de ideias, esperando o inverno passar (mais em mim do que lá fora) e lidando com várias situações difíceis: a eterna procura por um emprego, a mudança de casa, as frustrações de se morar numa cidade que não é minha (ainda), a ansiedade por não saber o que fazer nesse mundo insano e bla bla bla. Mas acho que ontem tive uma epifania. Sabe aqueles momentos mágicos que te fazem enxergar claramente toda a merda que você está fazendo com sua vida? Pois é. A merda toda se abriu, ontem, às 5 da tarde do dia 25 de março de 2010, pra ser mais exata. E não pensem que me chafurdei na lama, minha gente. Fiz o contrário: estiquei o pescoço, abri os olhos e mandei toda a merda à merda. E que venha o ano de 2010. Estou de volta!
E pra fechar esse post filosófico e poético, nada melhor do que uma das minhas novas paixões musicais: Sondre Lerche, um norueguês de 28 anos com influências de bossa nova e Beach Boys. Sondre começou a tocar violão aos 8 anos e na última terça-feira, dia 23 de março, mostrou pro público daqui de NY (inclua-me nisso) toda sua paixão pela música. Modern Nature (não é nova, eu sei, mas é fofa e tem tudo a ver com meu momento epifânico, tá?) é uma das faixas da trilha sonora do filme Dan in Real Life e foi cantada em coro pela mulherada que estava na plateia. Menos por mim, porque sou feliz, mas nem tanto…
2010: a vida passa tão rapidamente
domingo, janeiro 31st, 2010Ontem, dia 30 de janeiro, algumas pessoas ainda me desejavam “feliz ano novo”. Brinquei que hoje é último dia para desejar feliz 2010 a alguém, afinal amanhã já é fevereiro.
Não sei se é com todos, mas a impressão que tenho é que cada vez mais o tempo passa mais rápido. Não sei ainda se isso é bom ou ruim, se isso é devido a nossa velhice que avança e a nossa vida que voa. Só sei que essa passagem rápida do tempo faz eu tentar correr contra o relógio cada vez mais.
Anseio por mais realizações, mais experiências, mais calma. Quero estar mais com as pessoas que eu gosto, quero fazer coisas simples e me deleitar com elas, quero viajar, conhecer mais lugares, ler mais livros, ver TV sem culpa apenas para me desligar dessa pressa, quero jantarzinhos, cafés, quero ficar horas na cama abraçada com quem eu amo, quero dormir mais, mesmo que isso consuma tempo em que eu poderia estar vivenciando algo. Quero apenas não me culpar por achar que estou deixando de fazer coisas porque estou à toa.
É incrível quando paro para pensar no que eu já consegui fazer nesse primeiro mês do ano, que faz eu ansiar pelo que farei nos próximos 11. Quero pensar menos no tempo no formato em que ele é, pois essa “contagem” que me causa friozinho na barriga por achar que não vou dar conta de tudo.
É como se “antigamente” fosse mais devagar e o “agora” simplesmente nos devora com sua ansiedade tão marcante nesse novo século. Ou sempre foi assim e tudo isso é apenas impressão porque estou vivendo mais?
Um vídeo lindo indicado pela @evolucaolacoste de boas-vindas a 2010, que já parece ter chegado há tanto tempo:
We love 2010 from Soleil Noir on Vimeo.
‘Tortura moderna’
sexta-feira, março 6th, 2009Já que o assunto da noite, levantado pela Dani, é depilação, aproveito para rememorar uma crônica ótima, superdivertida, das conterrâneas Redatoras de Merda.
Abaixo, segue um trecho:
Tortura moderna
“Tenta sim. Vai ficar lindo.”
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Poesia visual
domingo, fevereiro 15th, 2009We Have Decided Not to Die é um curta muito, muito curioso. Sem nenhuma palavra, elete faz perpassar pelos cocneitos de nascimento, vida e renascer. Uma poesia visual daquelas! [via notcot.org]
Clique abaixo e confira entrevista em inglês com o diretor do filme.
















