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Perto dos seus ídolos

terça-feira, novembro 24th, 2009

No final dos anos 90 os meus ídolos eram, muitas vezes, ícones antigos da música (alguns serão eternamente). Vê-los pessoalmente não era uma tarefa fácil e recorri a alguns artifícios, que me renderam uma canseira danada. Nos mesmos anos 90 eu era uma metaleira de plantão e fui a todos os shows de rock que rolaram por aqui entre 89 e 97, depois eu fui embora, traí o movimento e voltei pop.

Eu ia em todas as tardes de autógrafos que rolaram na falecida Woodstock, no Anhangabaú e em lojas na Galeria do Rock. Peguei autógrafo e, claro, tirei foto com Anthrax, W.A.S.P., Motorhead, Metallica, Quiet Riot, Deep Purple, Ozzy Osbourne só para citar alguns. Eu frequentava com meu ex-namorado, com quem fiquei 7 anos ouvindo hard-rock & heavy metal, o extinto bar São Paulo, que ficava numa ruela perto da Oscar Freire, trocando ideias com o Viper, Angra, Poseidon, etc.

Os festivais eram o Hollywood Rock, Rock’n Rio, M2000 Summer Concert, que rolava em Santos, Close-up Festival, além de bater carteirinha em shows no Olympia, onde vi Faith No More, Pantera, The Mission, Marilyn Mason, Steve Vai, Joe Satriani, etc; e em grandes estádios como no Morumbi, onde assisti Nirvana e lembro de ter comentado que poderia morrer feliz na época (ainda bem que não morri!). Música que não tivesse guitarra, baixo, bateria e vocal não era música para mim.

Que bom que os anos passaram. Eu não nego minha veia metal, tanto que adoro incluir rock bem pesado nos meus sets. O Rage Against the Machine está entre o meu top10 de melhores shows que assisti. Hoje sou mais eclética, aprendi a gostar de música eletrônica, virei fã de eletrorock e meus ídolos já não são tão inalcansáveis. Eles são conhecidos, mas não lotam estádios.

Rage Against the Machine

Rage Against the Machine

Criamos uma fantasia em cima dos nossos ícones e até sinto saudades deles. Eu não tenho qualquer problema em admitir meu lado tiete e colaria no Iggy Pop, David Bowie, Thom Yorke, Trent Reznor só para tirar uma fotinho com qualquer um deles.

Iggy Pop

Iggy Pop

Hoje o que eu ouço está mais acessível. Eu sempre fico feliz como criança quando consigo trocar figurinhas com alguns dos meus atuais ídolos. Ter hospedado o Larry Tee na minha casa foi, por exemplo, fantástico. De repente, o produtor daquela música que fazia eu dançar na pista até o quadril doer, estava ali sentado no meu sofá, folheando minhas revistas, abrindo minha geladeira. Foi assim com o Soulwax, Diplo, Designer Drugs, Dat Politics, Squeak E. Clean, The Bloody Beetroots entre outros. Lembro-me até quando o Iggor Cavalera foi pela primeira vez na minha casa, afinal eu fui grande fã do Sepultura. Vê-lo sentadinho no meu sofá discutindo formato de festas foi daquelas experiências que, ah, não tem preço.

Ola Persson, Larry Tee e eu

Ola Persson, Larry Tee e eu

Nem sempre os meus ídolos vem tomar uma cervejinha aqui em casa, mas hoje só o fato de poder trazê-los para tocar em festa minha, já é uma satisfação e alegria que não tem fim. A lista nesse caso é grande. Jantar com Yelle, passar a tarde com o The Raveonettes e o último grande ídolo que trouxe foi o Yuksek, que produziu um dos álbuns que eu mais curti em 2009, Away from the Sea, e foi quem me inspirou para esse post.

Yuksek

Yuksek

Eu gosto dessa aproximação, pois acaba sendo uma quebra de uma projeção que fazemos dos nosso ídolos, que muitas vezes chegamos a colocar num altar de tão distante que ele parece ser. E, de repente, ele está ali ao seu lado, conversando, rindo como qualquer outra pessoa.

Para fechar esse post nada como algo inédito, afinal atualmente ter algo inédito para compartilhar não é nada fácil. Nessa última passagem do Yuksek por São Paulo, o Ola gravou o set dele inteiro e finalmente liberamos ele para que todos possam ouvi-lo. O set está em 128kbps, mas logo mais disponibilizaremos no perfil da Crew, no Soundcloud, com qualidade decente. Aguardem!

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Yuksek DJ Set @ Festa Crew – Clube Glória (SP)

França e eu, eu e França

quinta-feira, julho 30th, 2009

Eu amo a França. Ponto. Sou fã da literatura, do cinema, da filosofia, do teatro, da música, da moda e amo o país. Resisti em admitir que a França é um dos meus países favoritos. Ponto. Admiti.

Esse ano meu plano era passar meu aniversário em Berlim, que é uma das minhas cidades favoritas no mundo e adoraria voltar lá no verão, mas quando vi, eu estava marcando minha passagem para 10 dias em Paris. Eu vou, eu volto, eu vou. Paris é a cidade que eu queria estar sempre. Adoro Londres, mas Paris é quem me derrete. Eu entendo a cidade, tenho meus cantos favoritos e quase suporto o mau humor dos franceses. Não é a toa que eu tenho uma única tatuagem e essa seja em francês. Poesia. Rimbaud. Poucas palavras resumindo o que sou.

eu&rimbaud

Meu apartamento atualmente tem referências francesas em todos os cantos. Não é pretensão. É paixão. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que eu pisei em solo francês. Não foi em Paris. Foi numa pequena estação no sul do país, em que eu saí do trem e bem caipiramente fiquei pulando e gritando para a minha amiga: ESTOU NA FRANÇA! Bem caipira mesmo.

A primeira cidade em que me estabeleci na França foi Nice. Depois disso passei por pequenas cidades e claro, várias vezes por Paris. Cada vez (não foram tantas, ok?) que vou à Europa, Paris é minha parada obrigatória e é sempre onde gasto mais tempo. Apenas por um motivo. Eu amo estar em Paris. Por isso sou adepta do ano da França no Brasil e tenho feito disso meu evento particular. Fiz a festa “ano da França na Lalai”, em que quase 40% dos presentes eram franceses. Tenho alugado diariamente meus filmes prediletos e outros que não conheço de produções vindas de lá. No cinema minhas escolhas tem se reduzido à França e assisti todos os filmes que tem PARIS no título.

Na terça-feira fui na livraria Martins Fontes, que aliás, eu confesso que é minha favorita e saí de lá com 5 livros novos de autores franceses, sendo na maioria autores contemporâneos.

Reparei que a maioria dos artistas que tenho trazido para tocar aqui são franceses. São meras coincidências. Thieves Like Us não é francês, mas sua base é na França. E tem uma lista infinita que quando analiso, me dou conta de que mais do que 50% também vem de lá. Chego a acreditar que a França deveria era me patrocinar! hahahaha…

Para quem, assim como eu, tem uma queda pela cultura francesa, aí vão pequenas dicas de como aproveitar um pouquinho do que a França tem a nos oferecer aqui em São Paulo. Claro, que se você é obsessivo como eu, já foi em tudo, mas caso a França não é exatamente o lugar que mais lhe diga alguma coisa, aproveite e curta um pouco. Vale a pena.

Leia “O convidado surpresa”, de Gregóire Boullier, que é o autor da fatí­dica carta de rompimento a Sophie Calle, que desencadeou a exibição “Sophie Calle: Cuide de você”, que está em cartaz até 7 de setembro no Sesc Pompéia.

O livro, apesar de narrar a história da noite em que Gregóire conhece Sophie Calle, não é exatamente sobre ela que ele fala, mas talvez pela exposição estar por aqui, o que a mídia tem explorado é que o livro é sobre a noite em que ele a conheceu. Não é verdade. Sophie é mera coadjuvante na história. Gregóire narra com paixão a tentativa de esquecer um grande amor e tentar entender o rompimento. Ou melhor, a fuga do seu amor sem qualquer explicação. Ele fala da sua angústia de anos em tentar entender o porquê. Na oportunidade que tem para o confronto, ele se encolhe na sua blusa de “malha rulê” e na sua dor-de-cotovelo e acaba tendo uma noite não muito confortável. A parte boa é que o desfecho traz conclusões inesperadas, que traz um entendimento do rompimento que ele procurava (ou se consolou com o que achou para fechar a sua história).

Eu recomendo a leitura, pois isso muda um pouco a ótica de quem analisa a exposição da Sophie Calle, que para mim é resultado bonito de um final de relacionamento em que ela transformou quase em novela mexicana. Não quero tirar os méritos da Sophie, afinal ela é uma grande artista e a exposição é grandiosa em todos os sentidos (fiquei quase 2 horas por lá), mas não deixa de ser uma “punhetação” de alguém que levou um fora e não conseguiu entendê-lo. A sua escolha foi ter mais de uma centena de mulheres interpretando a tal carta de rompimento e achei várias das conclusões bem feministas. Para mim as mais sensatas foram da Victoria April, palhaça, mãe da artista, adolescente (que resume a carta e um sms “ELE SE ACHA”) e da escritora. Algumas soaram cansativas e dramáticas demais. Admiro quem consegue transformar sua dor em arte e foi o que ela fez. Mas, ah… não dá para desmerecer seu sofrimento, afinal parece que ela realmente amou demais mr. X, ou Gregóire Boullier, que foi quem dividiu a mesa com ele no Flip, em Parati, para autografar seus respectivos livros. Basta olhar para a foto e sacar que mr. Boullier, apesar de todas suas angústias com a vida, não passa muito de um Don Juan.

Claro que a exposição abre para participação do público, que pode enviar sua própria releitura da carta para, quem sabe, fazer parte da exposição em algum momento. Vale a leitura do livro e vale a visita à exposição.

Filmes obrigatórios: 2 Dias em Paris, Dans Paris e Paris. Todos tem a cidade como participante da história de alguma forma, sendo que em “Paris”, ela praticamente ganha o papel de protagonista. Afinal Paris tem história suficiente para o papel. Dos três, o meu favorito é “Paris”, pois achei o filme despretensioso, agradável e filme para sentir e não pensar.

E claro, para entrar no clima, nada como ir jantar e/ou almoçar em algum restaurante francês na cidade. Tem vários e alguns a preços bem acessí­veis. Aproveita e dá uma passada no post que eu fiz sobre eles e não deixe de ir no Robin des Bois comer mexilhões de entrada.

Produção musical francesa está em alta há algum tempo. Vide Kitsuné e EdBanger, que nos trouxeram os mais variados tipos e vários deles aterrissaram no último ano no Brasil. Sábado tem Thieves Like Us, que apesar de ser uma mistura de nações, tem residência na França. Em setembro tem Jane Birkin, que toca com Caetano Veloso nos dias 3 e 4 no Sesc Pinheiros. No dia 17 quem toca no Sesc Pompéia e no dia 19 no Circo Voador (RJ) é o Sebastian Tellier, além de tocar no Coquetel Molotov (em Recife) com Zombie Zombie e François Virot. As 3 atrações são obrigatórias. Anota aí e entre todos os dias no site do Sesc para não perder o início da venda dos ingressos, que costuma esgotar sempre no máximo no segundo dia.

E a lista de músicos franceses bons para ouvir é gigante: Serge Gainsbourg, Françoise Hardy, Charlotte Gainsbourg, Dat Politics, Yelle, SebastiAn, Yuksek, Daft Punk, Air, m83 entre outros.

Leia Rimbaud, Baudelaire, Flaubert, Proust, Racine entre tantos outros clássicos, além de Muriel Barbery (o ótimo “A elegância do ouriço“), Raymond Queneau (com Zazie no Metrô, que virou filme), Olivier Dam com A Salvo de Nada, Paris de Colin Jones e Paris é uma Festa de Hemingway e A Sombra da Guilhotina de Hilary Mantel. A lista de escritores franceses de tirar o fôlego é interminável.

E ainda tem o vinhos, os queijos, as artes plásticas e mais uma infinidade de coisas em que eu poderia gastar dias aqui escrevendo loucamente.

E eu assumo, esse é um post de declaração de amor à França, onde eu espero voltar muitas vezes e quem sabe, viver um pouquinho por lá.