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Zeitgeist revendo 2010

domingo, dezembro 26th, 2010

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São Paulo, a número 1

sábado, janeiro 23rd, 2010
Sao Paulo by Ola Persson

Sao Paulo by Ola Persson

No próximo dia 25 nossa cidade comemora 456 anos e, mesmo em meio aos problemas sérios que estamos enfrentando com alagamentos, desabamentos, etc, São Paulo está melhor do que nunca.

Eu sou muito urbana e gosto da vida em cidades grandes, tanto que minhas cidades favoritas são grandes metrópoles. São Paulo me atende razoavelmente bem. Não vou entrar na discussão no momento dos pontos negativos que temos por aqui, mas ressaltar a parte boa. Também não vou entrar no mérito sobre qualidade de vida, pois quem mora em cidade grande é que tem que se policiar para conquistar alguma.

Na quinta-feira, o caderno de Turismo da Folha chamou a minha atenção ao ter um especial sobre turismo em São Paulo. A cidade que sempre foi vista apenas como um lugar para vir a negócios, tem se tornado cada vez mais um lugar para se conhecer. O guia Wallpaper São Paulo termina o texto de apresentação da cidade com uma dica para vir conhecer São Paulo logo, antes que ela seja invadida por uma horda de turista.

Eu fico bem feliz em ver nossa cidade sendo comentada nos 4 cantos do planeta e, de uma hora para outra, de encontrar pessoas interessadas em vir passear por aqui. Adoro sentar para pensar em roteiros e ciceronear amigos, inclusive tenho até um desejo antigo que é um dia me dedicar em escrever um guia paulistano.

Sao Paulo by Ola Persson

Sao Paulo by Ola Persson

No ano passado a revista Wallpaper fez uma edição especial listando 40 razões fabulosas para você estar em 10 cantos selecionados no planeta, sendo que um deles foi o Brasil e uma boa parte das razões estavam justamente em São Paulo.

Enquanto eu pesquisava coisas sobre a cidade, achei um texto que o Zuenir Ventura escreveu há alguns anos sobre São Paulo, que vale a leitura, além de um texto homenagem que fiz no aniversário da cidade em 2005, que vou até reproduzir um trecho aqui:

As opções são infindáveis: gastronomia para todos os paladares, botequins em muitas esquinas, vida noturna agitada para todos os gostos, uma das maiores mostras de cinema do mundo, peças teatrais de tudo quanto é canto aterrissa por aqui, opções de malhar na madrugada, café a qualquer hora, espetáculos para todos os gostos, parques bacanas, sol, chuva, frio, grandes marcas, brechós, feirinhas de artesanato em vários cantos, museus bacanudos, bienal de artes, desfiles de moda entre tantas outras coisas. Você pode se sentir em Londres, em Paris, em Nova York, no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo sem sair daqui.

São Paulo me enlouquece, me enrusbece, me derrete, me encanta. Não é apenas dual, é mais que isso, pois é cheia de incertezas. Às vezes se comporta como gente grande, às vezes parece uma criança. Pode ser sensata, às vezes um tanto ingrata ou mesmo mimada. Tudo é longe e ao mesmo tempo tudo é perto. População numerosa e ao mesmo tempo a impressão é que todos se conhecem. Às vezes nos envelhece, às vezes nos rejuvesnece. Muita gente diz que odeia, mas não cogita sequer sair daqui.

Com todas as suas loucuras, eu prefiro perceber os seus encantos e me deleitar neles.

Mas o que deu origem a esse post foi a surpresa que tive ao ler o post que PSFK publicou nessa semana a lista das 20 melhores cidades para se viver no mundo, feita pelo Hub Culture, a partir de questionários feitos para os membros da rede e análises sobre a cidade. A número 1 desse ano foi São Paulo. É, São Paulo. O próprio PSFK coloca um interrogação na frente com a surpresa do resultado. Copenhagen que é considerada um dos melhores lugares para viver, ficou em sétimo e Berlin ficou em segundo lugar.

Eles resumem a cidade como um lugar jovem, onde tudo acontece, possui uma população vibrante e está num boom de consumo. A vida noturna está cada vez melhor e citam também o fato de termos o restaurante DOM (pena que são pouquíssimos os que tem $ para ir lá). São Paulo é vizinha da cidade que vai abrigar as Olimpíadas, Rio de Janeiro. Temos um presidente dinâmico (cof, cof, cof, cof), uma das moedas mais estáveis do mundo e um senso de otimismo (a velha história que por aqui a esperança é a última que morre) e que estamos num momento de criação do maior centro urbano do hemisfério sul. Claro que diz que o nosso grande problema ainda é a criminalidade.

De qualquer forma, acho que é um presentinho e tanto de aniversário para São Paulo, mas acho que há muito o que fazer por aqui ainda para realmente merecermos essa posição.

Parabéns São Paulo!!!

2010: tendências

terça-feira, dezembro 1st, 2009
future by h.koppdelaney

future by h.koppdelaney

Final de ano e as previsões para o ano seguinte já bombando. No ano passado eu tentei mapear as principais tendências para 2009 aqui no blog, além de dicas de sites focados no assunto. Muito do que se lê a respeito de “tendências” já é realidade. O próprio relatório FEED 2009 da Razorfish já demonstra isso. A experiência do consumidor é essencial, o diálogo entre ele e a marcar é algo que já deveria ser o básico, já que a informação é livre e o boca a boca é um dos maiores fatores de decisão na hora da compra.

2010 também é analisado como um ano de mudanças incríveis no marketing, eu diria que essas mudanças já estão rolando há algum tempo. Esses dias participei de uma reunião envolvendo uma grande marca, que tem foco no verão e sempre lança grandes campanhas nessa época do ano. A minha vizinha de mesa, que passou a vida trabalhando em agências “offline”, quase caiu para trás quando fomos informadas de que em 2010 a marca não faria a habitual campanha, que o foco e esforços seriam concentrados na web. Isso mesmo, a marca que passou os últimos anos gastando uma fábula com campanhas na TV e mídia impressa está mudando seu “jeito de fazer propaganda”. Para quem trabalha com Internet e está acostumado a lidar com budgets reduzidos, que geralmente não ultrapassam 10% do investimento anual estão invertendo: reduzindo o budget para marketing e aumentado o investimento para campanhas na web.

No último NBC09 alguns palestrantes afirmaram que o anúncio de TV não está morrendo (e também não acho que esteja), mas ele precisa se reinventar cada vez mais, especialmente numa década em que o sonho de qualquer marca é emplacar um “viral”, sendo que são poucos que conseguem e geralmente com um investimento altíssimo.

Abaixo algumas apresentações, relatórios e posts sobre 2010:

16 tendências em Social Media pelo Agent Wildfire, que não tem nenhuma novidade para quem vive focado em mídias sociais há pelo menos 1 ano: conteúdo diferenciado, SEO, ser o primeiro a fazer, construir relações influentes e por aí vai, mas tem insights interessantes.

Web 2010 – Ten trends defining your future, feito pelo Jay Berkowitz, CEO do Ten Golden Rules, em que ele fala sobre as inovações que estão conduzindo negócios ao sucesso, os melhores sites de social media para negócios, futuro do Google, como usar a internet para construir sua marca de forma personalizada, como ganhar dinheiro com Social Media, etc. O objetivo da apresentação é mostrar como as empresas e pessoas podem se diferenciar e ter sucesso online.

10 Trends to watch in 2010, por David Stutts, mostrando o que vai ser a bola da vez no próximo ano e o porquê. Entre suas previsões tem realidade aumentada indo ao mainstream, P2P (pagamento por celular), QR Codes (aqui será que vai pegar?), e-commerce nas redes sociais, crowdsourcing, aplicativos para celular, etc.

Five Social Media Predictions for 2010, pelo Social Media Today, também traz realidade aumentada em primeiro lugar, depois cita geotagging e colaborações em desenvolvimento de aplicativos.

8 Social Media Predictions for 2010, pela Navstar Inc., em que para mim o ponto principal é que o 2.0 vai  (já está chegando) ao mainstream. Se você não está no Twitter, Facebook e Youtube, vocês simplesmente não está na Internet.

Six Social Media Trends for 2010, pela Harvard Business, em que aponta em primeiro lugar que Social Media será cada vez menos social, fazendo com que as redes se tornem cada vez mais exclusivas.

O ZDNet publicou um artigo bacana questionando se em 2010 as mídias sociais vão alcançar a ubiquidade (a capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo).

A Techflash promoveu uma mesa redonda para tentar prever o futuro do Twitter, Google e outras marcas. Chegam a prever até os valores das ações dessas companias até o final de 2010. Para eles o twitter é um veículo promocional, enquanto o facebook é um veículo social, ou seja, o twitter tem mais potencial de fazer receita. Vamos ver!

A CNBC fez uma previsão sobre consumo no próximo ano e já começa afirmando que os consumidores voltarão no estado de hibernação após as férias, pois aprenderam a viver com menos.

Para quem é da indústria, vale a leitura das previsões feita pela Luxoft, que também não deixa a Social Media de fora.

A Mintel fez previsões para as tendências que impactarão no desenvolvimento global de produtos novos focado no ramo alimentício.

Vale sempre conferir os briefings do Trendwatching e assinar os feeds do WGSN, The Cool Hunter, Trendspotting, Trendcentral, Springwise e também recomendo o 180360720.

O que eu acho bem interessante é fazer comparativos das previsões que rolaram para 2009, analisando o que realmente se tornou realidade, o que ainda se apresenta como tendência ou o que foi uma previsão furada.

Achei interessante essas previsões globais feitas em 1996 para o ano de 2010 pelo NIC. Também há previsões globais para 2015, 2020 e 2025. Isso que é ter bola de cristal.

Aproveitei para dar uma olhada no Google Zeitgeist, que aponta as palavras mais buscadas. Apesar da crise econômica, escândalos diversos, Olimpíadas, catástrofes, as maiores buscas foram relacionadas às redes sociais, sendo que o Orkut lidera o ranking, depois vem youtube, hotmail e os dois grandes termos buscados foram “futebol” e “gripe suína”. A Geisy não apareceu.

Ainda em dezembro eu vou fazer uma análise do previsto para 2009, o que de fato aconteceu e o que continua como previsão para 2010. Acho que vale o exercício.

Também agradeço contribuições para esse post com novas sugestões de relatórios e/ou posts relacionados à 2010.

La vie en englais

domingo, março 9th, 2008

Outro dia acompanhei uma mini-dicussão animada via Twitter sobre o deslumbre-corporativo, aquela onda quase tão pegajosa quanto o gerundismo de assumir palavras, siglas e expressões de outra língua como se fossem máximas difundidas e corriqueiras e como se fossem absolutamente intraduzíveis. Report, task, conference call, schedule, job, CEO, asap, PR, e por aí vai, a lista é infinta. O mundo corporativo é longe o mais deslumbrado, mas os estrangeirismos estão dominando todas as área, passando do designer, pelos hair stylist até a stripper.

É um mal inevitável, que desembarcou em terras tupiniquins junto com o primeiro shopping center, e se fortaleceu a cada novo vôo fretado para Miami. Eu mesmo, assumo, solto minhas expressões-de-adolescente-de-seriado, num tom jocoso comigo mesmo, mas não consigo evitar. Por isso aparecem nos meus textos uns anyways e in the meantimes.

Agora, se pensarmos a fundo no assunto, vamos encontrar expressões que tomaram o mundo todo, e que, por expressarem idéias genuinamente únicas, e de forma quase cientificamente sucintas, raramente são traduzidas. Os franceses são peritos nisso, e exportaram uma série: physique du rôle, tour de force, joie de vivre, crème de la crème (que usei no meu último post), mais uma infindade. Os alemães são bem fracos no assunto, mas emplacaram uma unanimidade que é o Zeitgeist. A expressão á tão difundida que ganhou até pronome em português. Nós só podemos nos orgulhar pela criação da saudades, apesar desta não estar na boca dos outros, a não ser pelas letras de Tom Jobim.

Mas essa divagação toda começou quando eu combatia o calor da última semana com um ‘iogurte congelado’, e uma facada vinda por trás do olho me deu um insight do estrangeirismo que acho mais interessante de todos: o brain freeze. Nunca soube de qualquer tradução válida para essa terrível sensação que o sorvete pode te oferecer. Congelamento de cérebro? Dor-de-cabeça de sorvete? Nenhuma tradução oferece o ‘lirismo’ da expressão inglesa.

Alguém sabe alguma expressão mais intraduzível que essa?